Componente 3

Parceria Blue Deal em Moçambique reúne-se em Maputo para planear o seu futuro

Em Novembro deste ano, a Parceria Blue Deal realizou uma reunião estratégica em Maputo com o objectivo de analisar a nova estrutura organizacional do programa e discutir o plano anual para 2026. Este encontro deu continuidade ao processo de consulta iniciado em meados do ano sobre a reestruturação do programa e a melhoria da sua eficiência.

Uma nova estrutura organizacional

Durante a reunião, a parceria examinou uma nova estrutura organizacional baseada em “trilhos” específicos. Esta reorganização do programa visa clarificar o foco, melhorar o alinhamento entre todos os parceiros e optimizar a coordenação das actividades no futuro.

O plano anual de 2026

Uma versão preliminar do plano para 2026 foi apresentada e discutida. No âmbito do novo modelo de “trilhos”, a maioria das actividades propostas para o próximo ano são continuações directas de acções iniciadas pela parceria em anos anteriores.

Introspeção e cooperação na parceria

A reunião constituiu um momento de reflexão sobre os resultados do programa. Os líderes dos componentes (representantes da DWA) continuarão a trabalhar em estreita colaboração com as entidades moçambicanas de gestão de recursos hídricos para identificar as áreas de sucesso e pontos de melhoria no programa.

O encontro também proporcionou uma oportunidade para fortalecer os laços entre o Programa Blue Deal e outras intervenções dos Países Baixos na gestão de recursos hídricos em Moçambique.

O Sr. Ivo Van Haren, representante da Embaixada dos Países Baixos, participou na reunião e informou sobre as acções planeadas pela Comissão Neerlandesa para a Avaliação Ambiental (NCEA) em Moçambique. Este foi um anúncio importante para o sector de recursos hídricos, visto que algumas acções propostas pela Comissão visam melhorar as avaliações de impacto ambiental e reduzir a poluição na barragem de Chicamba causada pela mineração de ouro — uma questão que a parceria Blue Deal vem abordando há alguns anos.

Garantir um diálogo regular

A reunião de parceria realizada em Novembro reforçou a necessidade de consultas constantes com os parceiros locais para avaliar o progresso da parceria, recolher sugestões de melhoria e garantir uma melhor implementação do programa.

O programa Blue Deal organiza regularmente estas reuniões da parceria para garantir a transparência e um progresso consistente. O evento de Novembro segue-se a outro realizado em Junho deste ano, estando previstas novas reuniões estratégicas para o próximo ano, com o fim de monitorar a execução das actividades programadas para 2026.

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Gabinete do Programa Blue Deal visita Beira e Maputo para acompanhar o trabalho do SASB e participar na 8ª conferência REMCO

Uma delegação do Gabinete do Programa Blue Deal, em Haia, e das Autoridades de Água dos Países Baixos (DWA) visitou Moçambique no passado mês de Novembro. A equipa, composta por Marieke van Nood (Directora do Programa Blue Deal), Martin Bos (Director da Parceria Blue Deal Moçambique), Jan den Besten (Hunze en Aas) e Ytzen Faber (Wetterskip Fryslan), visitou a cidade da Beira para acompanhar o progresso do trabalho com o Serviço Autónomo de Saneamento da Beira (SASB) e para participar na 8ª Conferência REMCO, onde tiveram lugar discussões importantes sobre a gestão transfronteiriça de recursos hídricos.

Parceria com o SASB para a sustentabilidade financeira

Parte da missão na Cidade da Beira centrou-se na discussão do futuro financeiro do SASB. A discussão abrangeu uma grande variedade de tópicos a este respeito, tais como o aumento dos custos operacionais à medida que novas infraestruturas entram em funcionamento, o forte estímulo para a profissionalização, através da boa governação e do estabelecimento de um novo quadro regulamentar. Estas são apenas algumas das acções que levariam o SASB a tornar-se uma empresa sustentável.

Descentralização da cadeia de saneamento

As equipas do Blue Deal, DWA, e SASB também analisaram a importante questão do saneamento descentralizado na Beira.

Um inquérito realizado em Maio de 2025 revelou que 65% das lamas fecais não recebem um tratamento adequado.

Para combater este risco ambiental e para a saúde, a parceria está a lançar um projecto-piloto de subsídios (através da Associação FACE). Este projecto visa melhorar a cadeia de saneamento, dando aos residentes da cidade uma razão para esvaziar adequadamente as fossas sépticas e garantir que os lodos sejam colocados nos locais apropriados (geridos pelo SASB).

Limpeza de canais e expansão da infraestrutura

A prevenção de inundações continua a ser uma prioridade para a cidade da Beira e, actualmente, estão a ser construídos canais com 20 metros de largura para melhorar a drenagem da cidade.

Nas instalações do SASB, a delegação planificou a operação anual de limpeza de canais de drenagem. O Blue Deal tem prestado apoio ao SASB (e a Associação FACE) nesta matéria há alguns anos e continuará a fazê-lo.

Durante a visita em Novembro, foram exploradas soluções alternativas para combater o rápido recrescimento da vegetação, incluindo as possibilidades de utilizar um barco de corte para a manutenção das (novas) bacias de retenção e, possivelmente, também para os canais mais largos.

REMCO 2025

A missão terminou em Maputo com a participação da delegação na 8ª conferência REMCO, realizada de 3 a 7 de Novembro de 2025.

Como é habitual, a conferência deste ano – organizada por pela ARA Sul,IP e apoiada por três parcerias Blue Deal (Moçambique, África do Sul e Essuatíni) – centrou-se na cooperação transfronteiriça para a gestão de recursos hídricos entre estes três países.

Estiveram presentes cerca de 200 participantes, incluindo representantes do Gabinete Blue Deal em Haia e das delegações Blue Deal da Etiópia, Moçambique, Essuatíni, África do Sul, Alemanha e organizações parceiras na área da gestão de recursos hídricos.

A parceria Blue Deal de Moçambique esteve representada no evento pelos representantes do Gabinete do Blue Deal e da DWA acima mencionados, assim como por Marijke Jaarsma (Waterschap Vallei en Veluwe), que moderou duas sessões do evento: uma sobre a cooperação digital entre os Estados ribeirinhos e outra sobre o programa Blue Deal e o progresso das parcerias Africanas.

A conferência terminou com uma visita de campo, durante a qual os participantes tiveram a oportunidade de aprender mais sobre os esforços da Cooperativa REPENSAR, uma organização que desenvolve várias ações de conservação ambiental na bacia hidrográfica de Maputo.

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A missão estabeleceu uma ligação positiva entre as melhorias operacionais no terreno, na Beira, e as discussões estratégicas de alto nível, em Maputo.

As visitas a Beira e Maputo proporcionaram uma oportunidade valiosa para que o pessoal-chave do programa se reunisse pessoalmente e partilhasse as suas experiências diversas. Desde a Direcção do programa aos representantes das parcerias Blue Deal e outras entidades, ambas as cidades foram vistas como locais que ofereceram experiências valiosas e memoráveis.

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ARAs, DNGRH e DWA encontram-se para aprimorar estratégias e habilidades de comunicação

A gestão eficaz dos recursos hídricos abrange mais do que apenas a gestão da infraestrutura. A transparência, a sensibilização e a construção de confiança junto das comunidades, utentes e público em geral são igualmente fundamentais. Como parte do seu compromisso contínuo em fortalecer as relações com os utentes de água, as Administrações Regionais de Água (ARAs) de Moçambique têm desenvolvido uma série de acções de comunicação.

Estas acções, apoiadas pelo Blue Deal Moçambique, visam transformar a forma como as ARAs se apresentam ao público, assegurando que a sua imagem institucional reflita com precisão a importância e o impacto do trabalho que desenvolvem.

Continuamente aprendendo juntos

No meio das acções de comunicação apoiadas pelo Blue Deal encontra-se uma Comunidade de Prática (em inglês: Community of Practice – CoP), que reúne técnicos de comunicação das três ARAs (e, mais recentemente, também da DNGRH) em encontros online regulares. Estes encontros têm como objectivo partilhar experiências e trocar informações sobre as actividades em curso e as planificadas. Em Julho do corrente ano, o grupo reuniu-se presencialmente, em Maputo, para aprofundar a partilha de experiências e reforçar as suas competências.

O encontro presencial abordou desafios teóricos e práticos da comunicação no sector público moçambicano, promovendo debates sobre o papel da comunicação em contextos de fusão institucional e de crise, o impacto da burocracia na criatividade e estratégias para desenvolver acções de comunicação com recursos financeiros limitados.

A reunião funcionou igualmente como um workshop prático, no qual os membros da CoP participaram numa breve formação em mídia, com enfoque em técnicas de entrevista. Foram ainda realizadas sessões práticas sobre fundamentos de fotografia e utilização da inteligência artificial para a produção de conteúdo.

No último dia do encontro da CoP, os participantes realizaram uma visita a um grande utente de água, com o objectivo de debater a utilização de águas subterrâneas e a aplicação do princípio poluidor-pagador.

Desenvolvimento de competências na criação de conteúdo multimídia

Na sequência do encontro de Julho em Maputo, no mês de Outubro, um técnico de comunicação da ARA-Sul,IP conduziu uma formação aprofundada em multimédia dirigida às equipas da  ARA-Norte,IP e  ARA-Centro,IP. Dotadas de novos conhecimentos em design gráfico, edição de vídeo e fotografia, estas ARAs encontram-se melhor capacitadas para produzir conteúdos diversos, tais como os procedimentos para o licenciamento, alertas de cheias em tempo real e sensibilizar o público para a preservação da água.

Olhando para o futuro

As ARAs estão a promover uma cultura de transparência e abertura, seja através do diálogo directo com grandes utentes de água, seja por meio de campanhas de comunicação para o público em geral. A parceria Blue Deal em Moçambique continuará a apoiar estas acções, fortalecendo e mantendo relações sólidas, activas e construtivas entre os gestores dos recursos hídricos e os seus utentes.

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ARA-Sul e ARA Norte adoptam a ferramenta WE-HARP

Em Junho, técnicos da Administração Regional de Águas do Sul (ARA-Sul, IP) e da Administração Regional de Águas do Norte (ARA-Norte, IP) reuniram-se para sessões de treinamento centradas na ferramenta WE-HARP. Estas sessões, apoiadas pelo Programa Blue Deal e orientadas pela FutureWater, representaram um avanço significativo na forma como os pedidos de licenças de captação de água são actualmente avaliadas nestas regiões.

Integração de dados e modelagem

A ferramenta WE-HARP é uma ferramenta customizada, desenvolvida para estabelecer uma ligação eficaz entre dados administrativos e modelos hidrológicos complexos.

Durante o treinamento, os participantes aprenderam a utilizar a ferramenta para interligar o Sistema de Informação de Recursos Hídricos (SIRHA) com os modelos de avaliação e planificação hídrica (em inglês: Water Evaluation And Planning – WEAP). Igualmente, o treinamento demonstrou como a ferramenta WE-HARP permite simular o impacto de novos pedidos de licenças de uso de água – para fins agrícolas, industriais ou domésticos – no balanço hídrico de uma bacia hidrográfica inteira.

Governança da água por meio do licenciamento baseado em dados

A adopção do WE-HARP permite à ARA-Sul, IP e à ARA-Norte, IP a avançarem para uma abordagem baseada em dados na gestão de recursos hídricos no Sul e no Norte de Moçambique. Esta ferramenta possibilita o cálculo preciso dos impactos de novas captações sobre os níveis dos reservatórios e sobre os utentes existentes, bem como a simulação de cenários de seca, contribuindo para a protecção dos caudais ecológicos e do abastecimento de água.

Ao automatizar processos complexos, o WE-HARP permite que mesmo técnicos não especializados realizem avaliações aprofundadas e comuniquem de forma clara e fundamentada as decisões tomadas junto das partes interessadas.

Garantir água para o futuro

O treinamento WE-HARP de Junho de 2025 representa um passo significativo rumo à modernização do licenciamento do uso e aproveitamento de água pela ARA-Sul e a ARA Norte. Com a integração desta ferramenta nas suas operações diárias, os Departamentos de Recursos Hídricos de ambas as ARAs encontram-se agora melhor preparados para equilibrar o crescimento da demanda com a sustentabilidade ambiental, assegurando assim a segurança hídrica a longo prazo.

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Especialistas moçambicanos e holandeses trabalham em conjunto para melhorar a gestão de diques e a conservação da água

A gestão eficaz de recursos hídricos é um desafio global que exige uma combinação de conhecimento local e cooperação internacional. Em Moçambique, um país vulnerável tanto a inundações como a secas, o reforço da capacidade técnica das entidades gestoras de recursos hídricos e das comunidades é fundamental para enfrentar estes desafios.

Através do Programa Blue Deal em Moçambique, duas importantes Comunidades de Prática (em inglês: Communities of Practice – CoP) têm-se reunido regularmente para a troca de conhecimentos e o desenvolvimento de competências em matérias de conservação de água e gestão de diques de protecção. Este ano, as duas CoPs, compostas por técnicos da ARA-Sul,IP, ARA-Centro,IP, ARA-Norte,IP, DNGRH e ISPS reuniram-se em dois momentos importantes: um encontro presencial da CoP em Tete e uma visita de trabalho aos Países Baixos.

De encontros online à aquisição de conhecimento prático

No início de Abril, as CoPs conjuntas realizaram uma sessão de trabalho de três dias em Tete, centrada sobretudo nas realidades práticas das infra-estruturas de conservação da água em Moçambique.

As sessões foram fortemente marcadas pela partilha de experiências do ISPS na construção de barragens de areia e das experiências das três ARAs na implementação da iniciativa governamental para a construção de “10.000 Pequenas Barragens”.

As CoPs debateram estratégias para a padronização do desenvolvimento de pequenas barragens e reservatórios, enfatizando que estas infra-estruturas não podem ser construídas de forma isolada. Projectos anteriores demonstraram que o envolvimento activo da comunidade local, em particular das mulheres, em todas as etapas, desde a selecção do local até à manutenção é extremamente essencial. Isso garante que essas estruturas atendam às necessidades reais e tenham uma longa vida útil.

Tarefas como a criação de um banco de dados centralizado de pequenas barragens, o desenvolvimento de manuais de construção e a organização de programas de treinamento para os comitês locais responsáveis pela manutenção dessas estruturas, entre outras, foram definidas como prioridades pelas CoPs.

Este trabalho colaborativo, aliado às iniciativas anteriores de gestão de diques e conservação da água promovidas pelo Blue Deal, culminou numa visita dos membros das CoPs aos Países Baixos, em Junho, com o objectivo de aprofundar conhecimentos práticos sobre a gestão da água.

Aprendendo com especialistas holandeses

Em Junho, uma delegação de técnicos moçambicanos da área de gestão de recursos hídricos visitou os Países Baixos. O objectivo foi compreender como um país situado abaixo do nível do mar gere os seus sistemas de defesa contra cheias e de retenção de água.

A visita foi muito reveladora sobre como os diques são geridos. A equipe moçambicana ficou particularmente impressionada com o modelo institucional holandês, no qual ao contrário da realidade moçambicana, onde a manutenção é por vezes terceirizada ou inexistente, as autoridades holandesas de gestão de águas  dispõem, de unidades internas dedicadas à manutenção, com equipamentos e pessoal próprio. O conceito de “contribuição dos beneficiários”, segundo o qual todos os residentes pagam uma taxa específica para a manutenção dos diques, igualmente, levantou reflexões sobre a possível adaptação de mecanismos semelhantes em Moçambique.

Do ponto de vista técnico, a delegação visitou os renomados diques costeiros, onde o uso de vegetação específica e pesteio de ovelhas como solução natural e de baixo custo para a manutenção da cobertura vegetal destas estruturas foi particularmente impressionante. A equipa recebeu ainda um treinamento na utilização de drones para a medição de secções transversais e volumes de caudais, uma competência essencial para modernizar a monitoria de diques em Moçambique.

No domínio da conservação da água, o grupo explorou técnicas destinadas a aumentar a infiltração das águas subterrâneas e a reduzir o escoamento superficial. A missão incluiu visitas à estações de bombagem, projectos de restauração ecológica e ao sistema da Baakse Beek, permitindo compreender como os Países Baixos gerem a disponibilidade de água em períodos de seca — um desafio cada vez mais relevante, mesmo num clima tradicionalmente húmido.

Olhando para o futuro

A combinação do encontro em Tete com a visita de trabalho aos Países Baixos permitiu traçar um caminho claro para os próximos anos.

Todos os parceiros moçambicanos regressaram com planos de ação concretos, incluindo a criação de unidades de manutenção de diques, o mapeamento de beneficiários para possíveis mecanismos de cofinanciamento, a elaboração de boletins anuais sobre o estado dos diques, a criação de um banco de dados nacional de diques e pequenas barragens, bem como o incentivo à investigação científica sobre estas infra-estruturas, entre outras iniciativas.

A parceria Blue Deal em Moçambique continuará a trabalhar estreitamente com estas instituições, acompanhando e apoiando a implementação destas acções nos próximos anos.

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Aproximando utentes e gestores da água em Moçambique

Com o apoio do programa Blue Deal, as Administrações Regionais de Águas (ARAs) em Moçambique estão a realizar campanhas de licenciamento de utentes de água. Estas campanhas visam promover o uso sustentável da água, o cumprimento das normas, o acesso equitativo nas principais bacias hidrográficas e a melhoria da sustentabilidade financeira das ARAs.

Seguindo o exemplo da ARA-Sul, IP, a ARA-Norte, IP e a ARA-Centro,IP iniciaram campanhas de comunicação em 2024, com o objectivo não só de informar sobre os seus deveres e responsabilidades, mas também motivar os utentes a licenciarem-se e a realizar o pagamento pelo pelo uso da água.

Contacto directo com os utentes de água e construção da confiança

Sob o lema “Água Segura e Saudável”, a campanha da ARA Norte,IP concentrou-se em visitar agricultores, indústrias e fornecedores privados de água para esclarecer dúvidas, explicar as obrigações legais e ajudá-los no processo de licenciamento do uso da água. Recorrendo também a rádio, a televisão e a reuniões comunitárias, a campanha elevou a confiança dos utentes com a instituição e conduziu à um aumento no pedido de licenças e no cumprimento da legislação.

Por outro lado, também com foco na mudança comportamental dos utentes, a ARA Centro,IP recorreu a campanhas de rádio para apelar pelo licenciamento do uso de água nas três bacias hidrográficas sob a sua jurisdição e promover uma melhor compreensão do papel das ARAs.

Gestão inclusiva e abrangente

As campanhas da ARA-Norte,IP e da ARA-Centro,IP alcançaram mais de 500 mil pessoas nas bacias hidrográficas sob sua gestão. Estas campanhas quebraram barreiras linguísticas e a exclusão social, com as mensagens sendo transmitidas através de interações presenciais, rádio e televisão, tanto na língua oficial (Português) como nos dialectos locais.

Maior clareza na governação da água e alinhamento de estratégias futuras

Estas campanhas de sensibilização mostraram a importância de uma maior ligação entre os gestores da água e os utentes. Muitos passaram a ver o licenciamento não como um processo burocrático, mas como uma medida essencial para garantir a exploração sustentável da água. O fortalecimento das relações com as comunidades locais para uma governação inclusiva da água e a identificação de novos utilizadores são actividades fundamentais dos Departamentos de Serviço ao Utente (DSU) das ARAs. As ARAs planeiam prosseguir com as suas campanhas de comunicação e abordagem directa durante este ano e a parceria Blue Deal continuará a apoiar estas acções.

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SIRHAs – uma solução digital para o registo e a faturação de utentes de água

O SIRHAs é um sistema digital de informação sobre utentes de água desenvolvido pela iCarto com o apoio do Blue Deal e da Cooperação Galega. Esta ferramenta inovadora tem transformado a forma como as ARAs gerem o consumo de água, a emissão de licenças e a interação com utentes.

Neste vídeo, Teodomiro Cabral, técnico da Repartição de Cadastro e Geohidrologia da ARA-Sul,IP, partilha a experiência da instituição na utilização da ferramenta, em especial na automatização de processos nos seus diferentes departamentos.

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Partilha de conhecimentos entre Moçambique e os Países Baixos no uso do HydroNET e WEAP

Através da parceria Blue Deal, técnicos das administrações regionais de água em Moçambique receberam formações sobre modelação no WEAP e sobre o uso do HydroNET. Integradas ao projecto GLOW, estas ferramentas permitem prever fenómenos extremos em tempo real, analisar diversos cenários futuros e melhorar a resposta aos riscos de secas e inundações.

Neste vídeo, Ernesto Tivane e David Mucambe, técnicos da Repartição de Hidrologia e Ambiente da ARA-Sul,IP, explicam como estas ferramentas contribuem para uma gestão da água baseada em dados e como tais permitem que as autoridades locais da água antecipem e respondam à secas, inundações e a crescente procura de água.

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Barragens de areia como alternativas para aumentar a resiliência climática e a disponibilidade de água em Moçambique

Em certas regiões do centro de Moçambique o clima é caracterizado por temperaturas elevadas e uma falta de precipitação significativa. Estas regiões áridas e semiáridas enfrentam uma grave escassez de água, o que afecta o acesso à água potável, a prática da agricultura e a saúde da comunidade.

Para encarrar a escassez de água na região centro de Moçambique, a Administração Regional de Águas do Centro (ARA Centro,IP), em parceria com o Instituto Superior Politécnico de Songo (ISPS), com o apoio da Embaixada do Reino dos Países Baixos em Moçambique, iniciou a construção de barragens de areia. Este tipo de barragens foi introduzido pela primeira vez em Moçambique no ano 2007 pelo Conselho Cristão de Moçambique e tem se revelado uma solução eficaz para melhorar o armazenamento e a disponibilidade de água nas zonas áridas e semi-áridas das Províncias de Tete e Manica.

O que são barragens de areia?

As barragens de areia são pequenas estruturas destinadas a reter água e areia, construídas num curso de água com elevada capacidade de transporte de sedimentos. Neste tipo de barragens, a água é armazenada no subsolo, nos espaços entre os grãos de areia. Desta forma, reduz-se a perda de água por evaporação.

A água subterrânea é geralmente extraída através de um furo ou de uma bomba manual. O primeiro método é mais comum em Tete, mas a água pode ser poluída por animais.

Outras grandes vantagens associadas às barragens de areia são a melhoria do acesso à água potável (uma vez que a areia actua como um filtro natural), a redução do risco de contaminação da água e a redução da população de mosquitos.

Os custos de construção de uma barragem de areia são tipicamente baixos devido à utilização de materiais disponíveis localmente e o envolvimento da comunidade local.

Participação da comunidade no armazenamento de água

O envolvimento das comunidades no desenvolvimento de soluções de armazenamento de água é crucial para a gestão sustentável da água em áreas que enfrentam escassez de água. A ARA-Centro,IP e o ISPS têm trabalhado com membros das comunidades que beneficiam das barragens de areia em todas as fases do processo de planeamento, construção e manutenção destas estruturas. Esta abordagem aumenta a apropriação comunitária e melhora a relação entre as comunidades locais e as entidades públicas e privadas.

Promoção da construção de barragens de areia

A ARA-Centro,IP tem construído barragens de areia através do programa de Gestão Integrada de Recursos Hídricos da Embaixada dos Países Baixos em Moçambique. A parceria Blue Deal trabalha com a ARA-Centro,IP e o ISPS para partilhar os seus conhecimentos e experiências na construção deste tipo de infra-estruturas com as outras ARAs.

Através de uma Comunidade de Prática de Armazenamento de Água criada pela nossa parceria, representantes de cada ARA e da DNGRH reúnem-se regularmente para discutir o planeamento, a construção e a manutenção de barragens de areia e outros assuntos no domínio do armazenamento de água.

A parceria está também a ajudar a criar um Centro de Excelência (CdE) para o armazenamento de água na ARA-Centro, IP (Tete). Este CdE irá partilhar conhecimentos e divulgar esta temática junto dos profissionais do sector da água, estudantes e público em geral.

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Activas e mais visíveis: ARAs trocam conhecimento na área de comunicação em Moçambique

Em 2021 deu-se início a uma Rede de troca de conhecimentos na área de comunicação. A Rede faz parte da Componente 3 da parceria Blue Deal Moçambique e conta com a participação das equipas de comunicação das 3 ARAs (ARA-Centro,IP, ARA-Norte,IP e ARA-Sul,IP) e de experts da DWA. Desde 2021, acontece uma troca contínua de conhecimento na área de comunicação e houveram dois encontros presenciais, com treinamentos em vários tópicos. As ARAs desenvolveram diversas actividades na área de comunicação, incluíndo campanhas de conscientização para o licenciamento de utentes de água. Os resultados são muito promissores.

Actividades de comunicação

Entre as actividades realizadas pelas ARAs vale mencionar: campanhas de licenciamento; a renovação do website da ARA Sul – permitindo agora o licenciamento online; a produção de programas de rádio e de spots publicitários na TV; a participação na FACIM; posts patrocinados nas redes sociais e mensagens de texto por telefone (em situação de alerta de cheias). Ainda houve a aquisição de um drone e um curso de instrução sobre seu uso para a área técnica e a área de comunicação da ARA Sul,IP.

Campanhas de licenciamento

A ARA Sul,IP e a ARA Norte,IP desenvolveram campanhas de licenciamento de utentes de água subterrânea, conseguindo aumentar os números de novas licenças emitidas (e com isso  maior retorno financeiro). Além das campanhas pelo Facebook, rádio e bulk SMS, houveram visitas ao campo para a cobrança aos utentes não regularizados, identificação e licenciamento de novos utentes de água bruta. A ARA Centro,IP realizou a produção de um vídeo institucional e compartilhou suas experiências com as outras ARAs no uso de um plano de 5 passos de negociação de dívidas.

Troca de conhecimento

Além dos encontros online para alinhar e discutir as estratégias e actividades de comunicação, foram organizados dois encontros presenciais, para melhor aproveitar a troca de conhecimento. O primeiro encontro foi realizado em Nampula (na ARA Norte, IP) em 2022 e outro em Tete (na ARA Centro, IP) em 2023. Em cada encontro, houveram apresentações dos profissionais das ARAs e da DWA, sobre vários tópicos, entre eles a gestão de água e comunicação na Holanda, planeamento e estratégia de comunicação, mensagens-chave, análise de grupos alvo, a relação com a imprensa, estratégias de mídias sociais, o relacionamento com os utentes e a comunicação interna e sua importância para o desenvolvimento das ARAs. Em cada encontro, uma visita ao campo foi incluída no programa.

Treinamento de mídia

Em Outubro de 2023, foi organizado um treinamento de mídia para o director-geral, os directores de divisões e a equipa de comunicação da ARA Sul,IP. Os participantes foram submetidos à entrevistas-testes com uma equipa de televisão com câmara guiados pelo Jornalista Jeremias Langa.

Depois houve a projecção e apreciação crítica das entrevistas entre os participantes da ARA Sul,IP. A parte teórica do curso tratou de assuntos como a paisagem mediática em Moçambique, dicas para se preparar para entrevistas e para a gestão de crise. Também aconteceu, na parte prática, uma simulação de uma conferência de imprensa, na qual o director-geral da ARA Sul,IP comunicava uma possível inundação.


Para o ano de 2024 as ARAs já estão preparando novas actividades de comunicação. Um novo encontro presencial está previsto para o início do ano 2025.

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