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Transformando a drenagem de água na Cidade da Beira através da limpeza de canais

A cidade da Beira, em Moçambique, é frequentemente afectada por inundações. Nos últimos anos, as alterações climáticas vem exercendo uma pressão adicional sobre o sistema de drenagem da cidade da Beira devido à maior ocorrência de tempestades severas e à subida do nível do mar. Para ajudar a cidade a lidar com estas duas questões, a parceria Blue Deal está a trabalhar com os Serviços Autónomos de Saneamento da Beira (SASB) e a Associação FACE para melhorar a gestão do sistema de drenagem da cidade da Beira.

Limpeza de canais e da rede de esgoto pluvial

Com o apoio da parceria Blue Deal, os SASB e a FACE trabalham em conjunto na limpeza de canais em zonas urbanas e periurbanas na cidade da Beira. Entre o 3º trimestre de 2023 e o 1º trimestre de 2024, a FACE trabalhou na limpeza manual de canais com o apoio das comunidades que vivem nas proximidades dos canais. Por outro lado, os SASB têm estado a trabalhar na limpeza mecânica de canais.

De Fevereiro a Abril de 2024, a Associação FACE realizou actividades de limpeza de sarjetas na cidade da Beira. Uma equipa de 30 trabalhadores por mês (totalizando 90 pessoas ao longo dos três meses), limpou 3,208 sarjetas e 250 caixas de saída, removendo cerca de 3 contentores de 6m³ de resíduos sólidos da bacia de retenção de água de Maraza.

Os resíduos mais comuns que obstruem o sistema de drenagem são as garrafas PET, HDP, PP, as embalagens de diversos produtos e as fraldas descartáveis.

À semelhança da limpeza de canais, as actividades de limpeza de sarjetas promoveram a inclusão social e a participação da comunidade, permitindo que diferentes indivíduos se envolvessem e ganhassem um pequeno rendimento. É importante continuar a sensibilizar as comunidades residentes na cidade da Beira sobre a eliminação correcta dos resíduos sólidos e práticas adequadas para resiliência às cheias.

Avaliação do recrescimento da vegetação

A vegetação é bastante presente nos canais de drenagem da cidade da Beira, o que ocasiona problemas no escoamento da água. Para resolver este problema, o Blue Deal, em colaboração com o SASB e o FACE, está a avaliar o crescimento da vegetação nos canais de drenagem desta cidade e seu impacto na gestão da água.

As informações recolhidas sobre a dimensão dos canais e a vegetação dominante (espessura, comprimento e padrões de crescimento) permitirão aos SASB definir a estratégia mais adequada para a limpeza dos canais (manual ou mecânica), planear e orçamentar adequadamente as suas actividades.

Planeamento do uso da terra e envolvimento das partes interessadas

As campanhas de limpeza realizadas levantaram questões importantes sobre a cooperação entre as organizações envolvidas no planeamento e desenvolvimento urbano. Os SASB desempenham um papel importante, embora limitado, na redução dos impactos das inundações na Beira.

No bairro de Muave – uma área do município da Beira que está a crescer – os SASB estão a envolver-se mais cedo no processo de planeamento. Está a tornar-se cada vez mais claro para todos que é importante alinhar a gestão da água e o planeamento urbano desde o início – o Conselho Municipal da cidade da Beira está a ficar cada vez mais consciente disso.

Todas as semanas, é organizada uma reunião de consulta entre o SASB e o Conselho Municipal da Beira, para garantir que a gestão da água ajude a orientar o planeamento urbano. Isto ajudará a impedir a construção em zonas demasiado baixas, a criar bacias de retenção suficientes, a proteger as comunidades contra os impactos das tempestades e a desenvolver uma boa estrutura dos canais de drenagem.

Para além das actividades no bairro de Muave, foi desenvolvido um “mapa de oportunidades da água” para toda a cidade da Beira. Este mapa interactivo poderá ser utilizado como uma ferramenta para reforçar a gestão da água como um princípio co-orientador do planeamento urbano.

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Métodos inovadores para a monitoria da Qualidade da Água em Moçambique

A crescente procura por água potável e a necessidade de preservar os recursos hídricos fazem da qualidade da água uma questão crítica em Moçambique.

As vastas áreas sob gestão das Autoridades Regionais de Água (ARAs) e o acesso limitado à tecnologia e outros recursos tornam os métodos tradicionais de monitoria da qualidade da água pouco práticos e dispendiosos. Para resolver esta questão, a parceria Blue Deal em Moçambique está a trabalhar com a ARA-Centro,IP na procura por métodos e ferramentas inovadoras para a monitoria da qualidade da água.

Novas abordagens para a monitoria da qualidade da água

A necessidade urgente de ferramentas simples, económicas e fáceis de utilizar (e que possam fornecer dados precisos) exige que se saltem etapas intermédias e sejam directamente adoptadas as tecnologias mais recentes e eficientes. No caso da avaliação da qualidade da água, isto pode significar sair do uso de equipamentos de análise laboratorial dispendiosos para soluções móveis, transformando assim a forma como a qualidade da água é monitorada e permitindo a realização de testes mais frequentes, mesmo em zonas remotas.

Laboratórios portáteis de qualidade da água

Uma ideia promissora neste trabalho é o desenvolvimento de um “Laboratório Portátil de Qualidade da Água”. Este kit incluiria vários sensores e tiras de teste analógicos que podem medir substâncias complexas como o nitrato e o fosfato. Este conceito tira proveito da tecnologia dos smartphones para ler e interpretar os testes, tornando-os acessíveis e fáceis de utilizar por qualquer pessoa, independentemente do seu conhecimento técnico.

Correcção e precisão

Ao avaliar os testes de qualidade da água em dispositivos móveis, devem ser consideradas duas características críticas de desempenho: a “exatidão ” e a “precisão”. A exatidão refere-se à proximidade entre os valores medidos e as concentrações reais das substâncias, enquanto que a precisão indica a consistência dos resultados em vários testes.

A garantia de que os testes são precisos e fiáveis é essencial para a adopção de uma ferramenta eficaz para a monitoria da qualidade da água.

Produtos e tecnologias inovadores

Vários produtos e tecnologias surgiram como potenciais soluções para a medição da qualidade da água com recursos as aplicações móveis tais como o Deltares Aquality App, AKVO Caddisfly, AQUON Laboratories, FFEM, CyanoLakes, MQuant StripScan e SAM-1 Smart Aquameter.

A aplicação Deltares Aquality foi testada nos Países Baixos e em Moçambique, demonstrando resultados promissores para a medição fácil e rápida de nitrato, níveis de sal, azoto mineral, amónio e concentrações de fosfato. Para o Blue Deal Moçambique, seria interessante testar dois outros produtos: o MQuant Stripscan e o SAM-1 Smart Aquameter. Ambos os produtos oferecem comodidade, exatidão e facilidade de utilização.

Investigação e inovação contínuas

As investigações em curso exploram as capacidades dos smartphones para a análise da qualidade da água. Vários estudos científicos e organizações estão a explorar as possibilidades oferecidas pelos sistemas baseados em smartphones para a análise da qualidade da água e a sua fiabilidade, tais como a Universidade Técnica de Delft e a Universidade de Leiden.

A adopção destas novas formas de monitoria poderá dotar as ARAs e outros profissionais da água da capacidade de proactivamente monitorar a qualidade da água, tomar decisões com base nas informações colhidas e contribuir para a preservação da água em Moçambique. Em 2024 a nossa parceria continuará a explorar este tópico e está planeada uma visita de trabalho para o 3º trimestre para continuar a trabalhar com a ARA Centro, IP neste assunto.

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Barragens de areia como alternativas para aumentar a resiliência climática e a disponibilidade de água em Moçambique

Em certas regiões do centro de Moçambique o clima é caracterizado por temperaturas elevadas e uma falta de precipitação significativa. Estas regiões áridas e semiáridas enfrentam uma grave escassez de água, o que afecta o acesso à água potável, a prática da agricultura e a saúde da comunidade.

Para encarrar a escassez de água na região centro de Moçambique, a Administração Regional de Águas do Centro (ARA Centro,IP), em parceria com o Instituto Superior Politécnico de Songo (ISPS), com o apoio da Embaixada do Reino dos Países Baixos em Moçambique, iniciou a construção de barragens de areia. Este tipo de barragens foi introduzido pela primeira vez em Moçambique no ano 2007 pelo Conselho Cristão de Moçambique e tem se revelado uma solução eficaz para melhorar o armazenamento e a disponibilidade de água nas zonas áridas e semi-áridas das Províncias de Tete e Manica.

O que são barragens de areia?

As barragens de areia são pequenas estruturas destinadas a reter água e areia, construídas num curso de água com elevada capacidade de transporte de sedimentos. Neste tipo de barragens, a água é armazenada no subsolo, nos espaços entre os grãos de areia. Desta forma, reduz-se a perda de água por evaporação.

A água subterrânea é geralmente extraída através de um furo ou de uma bomba manual. O primeiro método é mais comum em Tete, mas a água pode ser poluída por animais.

Outras grandes vantagens associadas às barragens de areia são a melhoria do acesso à água potável (uma vez que a areia actua como um filtro natural), a redução do risco de contaminação da água e a redução da população de mosquitos.

Os custos de construção de uma barragem de areia são tipicamente baixos devido à utilização de materiais disponíveis localmente e o envolvimento da comunidade local.

Participação da comunidade no armazenamento de água

O envolvimento das comunidades no desenvolvimento de soluções de armazenamento de água é crucial para a gestão sustentável da água em áreas que enfrentam escassez de água. A ARA-Centro,IP e o ISPS têm trabalhado com membros das comunidades que beneficiam das barragens de areia em todas as fases do processo de planeamento, construção e manutenção destas estruturas. Esta abordagem aumenta a apropriação comunitária e melhora a relação entre as comunidades locais e as entidades públicas e privadas.

Promoção da construção de barragens de areia

A ARA-Centro,IP tem construído barragens de areia através do programa de Gestão Integrada de Recursos Hídricos da Embaixada dos Países Baixos em Moçambique. A parceria Blue Deal trabalha com a ARA-Centro,IP e o ISPS para partilhar os seus conhecimentos e experiências na construção deste tipo de infra-estruturas com as outras ARAs.

Através de uma Comunidade de Prática de Armazenamento de Água criada pela nossa parceria, representantes de cada ARA e da DNGRH reúnem-se regularmente para discutir o planeamento, a construção e a manutenção de barragens de areia e outros assuntos no domínio do armazenamento de água.

A parceria está também a ajudar a criar um Centro de Excelência (CdE) para o armazenamento de água na ARA-Centro, IP (Tete). Este CdE irá partilhar conhecimentos e divulgar esta temática junto dos profissionais do sector da água, estudantes e público em geral.

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Gestão de activos para uma melhor gestão de inundações na Cidade da Beira

Os Serviços Autónomos de Saneamento da Beira (SASB), através da parceria Blue Deal, trabalham ambiciosamente na introdução dos princípios de Gestão de Activos na operação dos sistemas de drenagem e saneamento da Beira. Esta iniciativa visa aumentar a eficiência, a fiabilidade e a sustentabilidade destes sistemas essenciais, melhorando assim a qualidade de vida dos residentes da Beira.

Fundamentos da gestão de activos

Em Março e Novembro de 2023, a parceria do Blue Deal em Moçambique realizou uma formação sobre Gestão de Activos para a equipa dos SASB (e da Associação FACE). A formação introduziu os princípios da gestão de activos e estabeleceu as bases para a operação e manutenção dos activos dos SASB.

Inventário de activos e desenvolvimento de um plano de operação e manutenção

Desde Março de 2023, os SASB têm vindo a trabalhar no inventário e codificação dos seus activos. Este processo começou com as principais máquinas e infra-estruturas dos SASB, incluindo canais, camiões e bombas. Nos anos seguintes, o inventário e a codificação dos activos serão alargados a outras infra-estruturas, materiais e equipamentos dos SASB.

Em alinhamento com o programa SASB-PRO (uma abordagem combinada do Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos, Embaixada do Reino dos Países Baixos, RVO, VNG e Blue Deal para a melhoria da capacidade operacional do SASB), estas actividades permitirão estabelecer uma visão clara para a manutenção e o operação dos activos do SASB, reduzindo os custos imprevistos associados à manutenções reactivas.

Progresso das actividades

Em Março deste ano (2024), foi organizada uma visita de trabalho a Moçambique, durante a qual a equipa da Componente 5 e a equipa da VNG Internacional discutiram o progresso das actividades empreendidas pelos SASB nesta matéria.

Em Junho, o Blue Deal organizou um workshop para desenvolver um plano de manutenção para os canais de drenagem da Beira. Participaram deste workshop funcionários de diferentes departamentos dos SASB. Durante o workshop, a teoria da gestão de activos foi utilizada para redigir um plano de manutenção. Em uma semana de formação e discussão activa, ficou pronta uma versão preliminar do plano de manutenção (cerca de 90%). O plano será implementado no segundo semestre de 2024 e nos anos seguintes, o plano será actualizado anualmente.

Prevê-se que ainda neste ano sejam organizadas outras visitas de trabalho e acções de formação.

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Activas e mais visíveis: ARAs trocam conhecimento na área de comunicação em Moçambique

Em 2021 deu-se início a uma Rede de troca de conhecimentos na área de comunicação. A Rede faz parte da Componente 3 da parceria Blue Deal Moçambique e conta com a participação das equipas de comunicação das 3 ARAs (ARA-Centro,IP, ARA-Norte,IP e ARA-Sul,IP) e de experts da DWA. Desde 2021, acontece uma troca contínua de conhecimento na área de comunicação e houveram dois encontros presenciais, com treinamentos em vários tópicos. As ARAs desenvolveram diversas actividades na área de comunicação, incluíndo campanhas de conscientização para o licenciamento de utentes de água. Os resultados são muito promissores.

Actividades de comunicação

Entre as actividades realizadas pelas ARAs vale mencionar: campanhas de licenciamento; a renovação do website da ARA Sul – permitindo agora o licenciamento online; a produção de programas de rádio e de spots publicitários na TV; a participação na FACIM; posts patrocinados nas redes sociais e mensagens de texto por telefone (em situação de alerta de cheias). Ainda houve a aquisição de um drone e um curso de instrução sobre seu uso para a área técnica e a área de comunicação da ARA Sul,IP.

Campanhas de licenciamento

A ARA Sul,IP e a ARA Norte,IP desenvolveram campanhas de licenciamento de utentes de água subterrânea, conseguindo aumentar os números de novas licenças emitidas (e com isso  maior retorno financeiro). Além das campanhas pelo Facebook, rádio e bulk SMS, houveram visitas ao campo para a cobrança aos utentes não regularizados, identificação e licenciamento de novos utentes de água bruta. A ARA Centro,IP realizou a produção de um vídeo institucional e compartilhou suas experiências com as outras ARAs no uso de um plano de 5 passos de negociação de dívidas.

Troca de conhecimento

Além dos encontros online para alinhar e discutir as estratégias e actividades de comunicação, foram organizados dois encontros presenciais, para melhor aproveitar a troca de conhecimento. O primeiro encontro foi realizado em Nampula (na ARA Norte, IP) em 2022 e outro em Tete (na ARA Centro, IP) em 2023. Em cada encontro, houveram apresentações dos profissionais das ARAs e da DWA, sobre vários tópicos, entre eles a gestão de água e comunicação na Holanda, planeamento e estratégia de comunicação, mensagens-chave, análise de grupos alvo, a relação com a imprensa, estratégias de mídias sociais, o relacionamento com os utentes e a comunicação interna e sua importância para o desenvolvimento das ARAs. Em cada encontro, uma visita ao campo foi incluída no programa.

Treinamento de mídia

Em Outubro de 2023, foi organizado um treinamento de mídia para o director-geral, os directores de divisões e a equipa de comunicação da ARA Sul,IP. Os participantes foram submetidos à entrevistas-testes com uma equipa de televisão com câmara guiados pelo Jornalista Jeremias Langa.

Depois houve a projecção e apreciação crítica das entrevistas entre os participantes da ARA Sul,IP. A parte teórica do curso tratou de assuntos como a paisagem mediática em Moçambique, dicas para se preparar para entrevistas e para a gestão de crise. Também aconteceu, na parte prática, uma simulação de uma conferência de imprensa, na qual o director-geral da ARA Sul,IP comunicava uma possível inundação.


Para o ano de 2024 as ARAs já estão preparando novas actividades de comunicação. Um novo encontro presencial está previsto para o início do ano 2025.

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Abordando os desafios da mineração do ouro nas bacias do Buzi e do Púnguè

As bacias do Buzi e do Púnguè enfrentam diversos problemas causados, em grande parte, pelas actividades de mineração de ouro. Devido ao tratamento e a descarga inadequada das águas residuais, a mineração do ouro tem causado a poluição da água na região centro de Moçambique. Esta questão tornou-se uma grande preocupação para a ARA-Centro,IP e para as organizações ambientais que trabalham nesta região.

Um problema antigo

Por muitas décadas, a fronteira de Moçambique e do Zimbabué é conhecida pela extração do ouro. O aumento da actividade mineira na região levou a um aumento da descarga ilegal de águas residuais, resultando na poluição da água. A extração de ouro nesta zona está associada a impactos negativos na gestão da água, na saúde pública, no ambiente e outras esferas.

Licenciamento e fiscalização da descarga de efluentes para reduzir a poluição da água

A gestão eficaz da qualidade da água é essencial para garantir um saneamento adequado e o acesso à água potável pela comunidade. Como organização responsável pela gestão da qualidade da água na região centro, a ARA-Centro,IP começou a abordar os problemas causados pela mineração do ouro nas bacias do Búzi e Púnguè.

Através da parceria Blue Deal, a ARA-Centro,IP pretende iniciar o licenciamento das empresas de mineração de ouro na região centro de Moçambique para a descarga de águas residuais. Este trabalho irá iniciar na bacia do Búzi e, após alcançar resultados favoráveis, será alargado à bacia do Púnguè.

Maior sensibilização das empresas e do governo

A intervenção da ARA-Centro,IP centra-se na sensibilização das empresas de mineração de ouro sobre os requisitos para o licenciamento e as melhores práticas para a descarga de águas residuais. Para além destas acções, existe também um forte interesse em gerar discussões sobre este tema ao mais alto nível do governo de Moçambique, não só para acabar com as descargas ilegais de águas residuais e melhorar a qualidade da água, mas também para lutar contra todos os outros problemas socioeconómicos e ambientais relacionados com a exploração mineira na região.

Reuniões com as partes interessadas

Em Agosto de 2023 foi organizada uma reunião presencial pela parceria Blue Deal para a produção de um plano de trabalho e recolher contributos de várias partes interessadas para abordar a questão da mineração de ouro nas bacias do Buzi e Púnguè, incluindo empresas privadas da região centro. Neste ano, a actividade tem continuado através da realização de mais reuniões virtuais e presenciais com as partes interessadas, a realização de um inventário das empresas mineiras na região e o desenvolvimento de um plano de monitoria da qualidade de água pela ARA Centro.

Embora os desafios associados a mineração do ouro nas bacias do Búzi e do Púnguè sejam antigos, a actual intervenção conjunta da ARA-Centro,IP e de outras entidades públicas e privadas abre esperanças para o alcance de uma solução sustentável.

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SASB e FACE trabalham na melhoria da gestão de lamas fecais na Cidade da Beira

Um elemento importante da abordagem combinadada dos Países Baixos (Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos, Embaixada dos Países Baixos em Moçambique, RVO, VNG e Blue Deal) é a implementação de várias actividades na cidade da Beira. Estas actividades incluem intervenções sociais e técnicas, com o objectivo de melhorar os serviços prestados pelos Serviços Autónomos de Saneamento da Beira (SASB) a comunidade e apoiar o seu fortalecimento institucional.

Durante a primeira fase, a parceria Blue Beal colaborou com o SASB e o Conselho Municipal da Beira na identificação de uma área piloto para a instalação de uma segunda Estação de Transferência de Lamas Fecais. Discussões e avaliações seguintes, em 2023, destacaram a necessidade de se concentrar na melhoria da gestão e operação da estação existente – construída através do Programa de Saneamento Urbano da Frísia na Beira (2014-2018) – ao invés de construir uma segunda Estação de Transferência de Lamas Fecais (ETLF).

Monitoria do funcionamento da estação de transferência de lamas fecais

Os SASB e a Associação FACE têm vindo a acompanhar o funcionamento da ETLF já existente. As actividades levadas a cabo por estas duas organizações estão centradas no estabelecimento de um funcionamento eficiente da ETLF, na optimização da gestão das instalações e no aumento da adesão dos prestadores de serviços de saneamento privados. Para além disso, as actividades visam também apoiar e fortalecer as pequenas e médias empresas de sucção de fossas, incentivando boas práticas e padrões de qualidade que satisfaçam as necessidades de saneamento da comunidade. Por último, os SASB e a FACE realizam actividades de sensibilização para promover a importância do saneamento e da gestão adequada das lamas fecais, destacando também a importância dos serviços das empresas envolvidas.

Desafios e mudanças na operação da ETLF

Em 2023, as alterações nas operações das empresas de sucção de fossas e as variações sazonais foram significativas, afectando directamente os volumes recebidos na ETLF. A operação da ETLF foi também afectada por outros factores, tais como o encerramento das actividades de 3 empresas privadas (o que reduziu a quantidade de lamas fecais recebidas), a percepção negativa dos custos e a adopção de práticas alternativas de esvaziamento das fossas.

As práticas inadequadas de esvaziamento por parte das empresas, o não cumprimento dos procedimentos operacionais, o desconhecimento dos serviços oferecidos por parte da população, bem como a gestão inadequada dos resíduos sólidos e a falta de estrutura organizacional por parte dos praticantes do esvaziamento manual também impõem desafios na operação da ETLF.

Sensibilização da comunidade

A avaliação da operação da ETLF revelou a importância da sensibilização da comunidade como uma das soluções para o seu funcionamento efectivo. Estas acções de sensibilização contribuirão para o abandono de práticas inadequadas por parte das empresas privadas e da população, melhorando a relação entre estas duas partes.

Através da parceria Blue Deal, a FACE conseguiu recrutar e formar activistas para promover boas práticas na gestão das lamas fecais e também promover os serviços prestados pela ETLF a nível comunitário. É cada vez mais claro que uma comunicação eficaz sobre os serviços prestados pela ETLF é crucial para obter a aceitação e incentivar a participação activa da comunidade e das empresas privadas.


As actividades relacionadas com o funcionamento da ETLF continuarão neste ano, uma vez que o SASB e a FACE desempenham um papel significativo na melhoria da gestão da água e do saneamento na Beira.

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Assinados os MoUs para a segunda fase da Parceria Blue Deal Moçambique

As Autoridades de Água do Reino dos Países Baixos (DWA) e as Administrações Regionais de Água (ARAs) de Moçambique fizeram a assinatura dos Memorandos de Entendimento para a segunda fase do programa Blue Deal (2023 – 2030).

Os Memorandos de Entendimento (MoUs) foram assinados pela presidente do programa Blue Deal (Luzette Kroon) e os directores das 3 ARAs.

Este acto reforça a cooperação entre o Reino dos Países Baixos e Moçambique na Gestão Integrada de Recursos Hídricos (GIRH), centrando-se na qualidade e na disponibilidade da água, na gestão dos riscos de cheias e secas e nas alterações climáticas.

A cerimónia de assinatura dos MoUs contou com a presença de Luzette Kroon (presidente do programa Blue Deal), Geert-Jan ten Brink (presidente da autoridade de água holandesa Hunze en Aa’s), Ivo van Haren (Primeiro Secretário para a Água e Saneamento da Embaixada do Reino dos Países Baixos em Moçambique), bem como dos directores e funcionários das ARAs. Durante a cerimónia, Kroon destacou os desafios e sucessos da primeira fase da parceria, incluindo o reforço de capacidades, o recrutamento de pessoal para as ARAs e o desenvolvimento de modelos hidrológicos.

Apoio e satisfação das ARAs

As ARAs mostraram-se satisfeitas com o progresso da parceria e confirmaram o seu apoio para o alcance das metas e objectivos comuns. Como principais intervenientes na gestão de recursos hídricos em Moçambique, estas organizações reconhecem a importância da colaboração, planeamento e comunicação contínua para o sucesso da segunda fase da parceria Blue Deal.

Cooperação com a Embaixada do Reino dos Países Baixos e o novo programa de GIRH

A cerimónia também destacou a cooperação existente entre o programa Blue Deal e a Embaixada do Reino dos Países Baixos em Moçambique, particularmente, através do seu novo programa de Gestão Integrada de Recursos Hídricos (GIRH).

À medida que a segunda fase do Blue Deal se desenrola, a assinatura dos MoUs representa um marco significativo no reforço da cooperação entre o Reino dos Países Baixos e Moçambique no domínio da GIRH.

Resultados da visita

A cerimónia de assinatura dos MoUs decorreu durante uma visita de trabalho de uma delegação da DWA, em Janeiro, que permitiu conhecer as infra-estruturas e as actividades da ARA Sul e do SASB.

Esta visita permitiu saber mais sobre as actividades desenvolvidas por estes dois parceiros com o apoio do Blue Deal e adquirir uma compreensão mais aprofundada dos desafios e das medidas tomadas para o controlo da qualidade da água, a gestão dos riscos de cheias e secas, o saneamento e a adaptação às alterações climáticas.

Notícia originalmente publicada em: https://dutchwaterauthorities.com/news/signing-for-phase-2-of-blue-deal-partnership-mozambique/

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Delegação da DWA visita Moçambique no âmbito do programa Blue Deal

Em Janeiro de 2024, uma delegação das Autoridades de Água do Reino dos Países Baixos (DWA) visitou Moçambique para testemunhar o progresso da parceria Blue Deal no país. Esta visita constituiu um marco crucial no reforço da gestão de recursos hídricos e dos esforços de mitigação das alterações climáticas no país. Ao promover parcerias e partilhar conhecimentos, os países podem trabalhar em conjunto para desenvolver soluções sustentáveis de gestão da água para benefício das gerações presentes e futuras.

Visita às Infra-estruturas da ARA Sul

No dia 16 de Janeiro, a delegação teve a oportunidade de visitar a estação telemétrica de Goba e a barragem dos Pequenos Libombos. A visita a estas duas infra-estruturas permitiu conhecer os desafios enfrentados pela ARA Sul no seu trabalho com outras organizações regionais e os ajustes necessários para responder às alterações climáticas.

As brechas nos acordos regionais entre Moçambique, Eswatini e a África do Sul, a partilha inconsistente de dados (particularmente durante as épocas secas e chuvosas) e a existência de recursos limitados foram identificados como os principais obstáculos para a gestão sustentável de recursos hídricos na região. O apoio do programa Blue Deal, juntamente com organizações e conferências como a REMCO e a INMACOM, pode desempenhar um papel fundamental no reforço da cooperação entre os 3 países e garantir uma gestão adequada dos riscos de cheias e secas.

Visita à sede da ARA Sul

No dia 17 de Janeiro, a delegação da DWA teve uma reunião com a equipa de gestão da ARA Sul,IP. Esta autoridade de água está activamente envolvida em vários tópicos na parceria, tais como a gestão da qualidade da água, a gestão do risco de cheias (incluindo a gestão de diques e sistemas de alerta prévio), a modelagem de águas subterrâneas e o licenciamento de utentes de água. Através da ARA Sul e de outros parceiros, a parceria moçambicana chama a atenção para a necessidade de medidas proactivas para mitigar o impacto devastador das cheias no país.

Assinatura de MoUs

No dia 18 de Janeiro, foi celebrada a assinatura dos Memorandos de Entendimento (MoUs) para a Fase 2 do programa Blue Deal em Moçambique. Estes Memorandos de Entendimento solidificam o compromisso de todas as partes envolvidas em continuar a trabalhar em conjunto para enfrentar os desafios relacionados com a gestão de recusos hídricos e a resiliência climática.

Encontro com o Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos de Moçambique

Visando reforçar o apoio do Reino dos Países Baixos a Moçambique em questões de gestão de recursos hídricos, saneamento e alterações climáticas, a delegação da DWA reuniu-se com o Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos de Moçambique (Carlos Mesquita), a Embaixadora do Reino dos Países Baixos em Moçambique (Elsbeth Akkerman) e o Primeiro Secretário para a Água e Saneamento da Embaixada dos Países Baixos em Moçambique (Ivo van Haren). Esta reunião destacou a visão partilhada de ambas as nações para abordar questões críticas na gestão de recursos hídricos e reafirmou o compromisso do Reino dos Países Baixos em fornecer conhecimentos técnicos, ajuda financeira e apoio à capacitação.

Impacto das alterações climáticas e da subida do nível do mar na Beira

A visita de trabalho da delegação terminou com a sua deslocação à Cidade da Beira, onde trabalhou com o Conselho Municipal da Beira. Através do SASB (Serviço Autónomo de Saneamento da Beira), a parceria está a ajudar o Município da Beira a resolver questões relativas à operação e manutenção do sistema de drenagem e à limpeza dos canais. Estas acções são de grande importância numa altura em que a cidade é severamente afectada pelos impactos das alterações climáticas e da subida do nível do mar.

A parceria Blue Deal facilita a troca contínua de conhecimentos entre os dois países, que teve início há quase 10 anos através da parceria entre a autoridade de água holandesa Hunze en Aas e o Conselho Municipal da Beira.

Notícia originalmente publicada em: https://dutchwaterauthorities.com/news/dwa-delegation-visits-mozambique-for-the-blue-deal-programme/

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Licenciamento e Fiscalização do despejo de efluentes

Robert Boonstra e Bert Jager trabalham nos temas sobre o licenciamento e fiscalização do despejo de efluentes. Estes temas fazem parte da componente 2 da parceria Blue Deal, referente à qualidade da água.

Em Abril, foi realizada uma primeira reunião por skype com os representantes moçambicanos para discutir ideias para os projectos-piloto nas 3 ARAs. Actualmente, foram realizadas várias consultas e definidas as áreas-piloto. O próximo passo é realizar uma investigação sobre o licenciamento e a fiscalização do despejo de efluentes e o seu efeito nas áreas-piloto.

Esta investigação objectiva obter uma imagem da situação local actual, onde as coisas estão a correr bem e onde existem lacunas em termos de conhecimento, cooperação ou implementação. Esperamos que, caso existam lacunas à nivel local, também existam em toda a área coberta pela ARA. Acreditamos também que haja uma falta de cooperação e partilha de conhecimentos entre as várias organizações governamentais. As oportunidades de melhoria destas situações serão apresentadas no workshop planeado para Novembro de 2021 que contará também com a participação das outras organizações governamentais. Durante este workshop, daremos início a um plano de acção estratégico.

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