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Delegação da DWA visita Moçambique para reforçar a cooperação na gestão da qualidade da água

Em Abril de 2025, uma delegação de especialistas holandeses em qualidade da água composta por Oscar van Zanten, Eva Ruiter e Jan van de Graaf visitou Moçambique no âmbito da parceria do Blue Deal. A visita tinha como objectivo reforçar a cooperação técnica na gestão da qualidade da água.

Durante a visita, a delegação avaliou o progresso da abordagem de aprendizagem mista sobre a qualidade da água, a introdução de práticas inovadoras testar a qualidade da água e por fim, a implementação dos regulamentos para a gestão da qualidade da água.

Reforço de capacidades através da aprendizagem mista

Nos anos passados, a parceria Blue Deal introduziu um curso online sobre a monitoria da qualidade da água. Esta visita de trabalho serviu como uma oportunidade para avaliar a primeira fase do curso e introduzir a sua segunda fase. O curso agora foi ampliado para incluir um novo módulo sobre ecossistemas aquáticos e biodiversidade, e um teste final. Os participantes que obtêm uma pontuação igual ou superior a 70% recebem automaticamente um certificado personalizado.

O curso online pode ser acedido aqui na sua versão inglesa e aqui na versão portuguesa.

Durante a visita à ARA-Sul,IP em Maputo e à ARA-Centro,IP em Tete, foi orientado um curso introdutório sobre ecologia para apoiar a introdução da segunda fase da aprendizagem mista – uma abordagem que está a contribuir para o desenvolvimento de capacidade técnica dentro das ARAs.  O curso online também foi apresentado a Bernabé Fondo (Gestor do Programa de Água Doce) e António Serra (Paisagista) do Fundo Mundial para a Natureza (World Wide Fund for Nature, WWF), que manifestaram entusiasmo e interesse em utilizá-la para formar o seu pessoal.

Introdução de técnicas inovadoras para a monitoria da qualidade da água

Outro destaque da visita de trabalho foi a demonstração de técnicas inovadoras para a monitoria da qualidade da água no campo.

No último trimestre de 2024, as Autoridades de Água dos Países Baixos (Dutch Water Authorities, DWA) forneceram medidores portáteis simples e de baixo custo à ARA-Centro,IP. Estes instrumentos foram testados ao longo desta missão em uma visita ao rio Zambeze para avaliar a sua usabilidade em combinação com a aplicação Aquality para smartphone. Mais informações podem ser encontradas aqui.

Estas ferramentas são especialmente úteis em locais remotos, onde o transporte de amostras de água para análise no laboratório é muitas vezes difícil. A capacidade limitada dos laboratórios para a realização de testes torna ainda mais difícil a monitoria da qualidade de água. Neste cenário, os medidores portáteis poderão fornecer leituras fiáveis e constituir uma alternativa eficaz para a recolha de dados e análise laboratorial.

Implementação do Decreto 52/2023 e o princípio poluidor-pagador

Em Maputo, a equipa holandesa reuniu-se com técnicos da ARA-Sul,IP e da Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH), para discutir a implementação do Decreto 52/2023 sobre padrões de qualidade da água e descarga de efluentes. As inspecções técnicas e os projectos-piloto realizados pela ARA-Sul,IP revelaram desafios na implementação do decreto 52/2023 em particular na aplicação do princípio poluidor-pagador. Este facto levanta a necessidade de maior articulação entre as ARAs e a DNGRH neste tema, bem como uma eventual revisão do decreto.

A DNGRH encontra-se a desenvolver uma proposta de revisão das tarifas da água bruta e solicitou apoio adicional da DWA. Esta proposta será posteriormente apresentada ao Conselho de Ministros.

Fortalecimento da gestão de dados

A missão também abordou a gestão de dados na área de recursos hídricos, com especial destaque para o desenvolvimento do SNIRH (Sistema Nacional de Informação sobre Recursos Hídricos) e o uso do HydroNET. Discussões adicionais sobre este tema serão realizadas à nível das componentes da parceria, com vista a sua harmonização.

Outras actividades relacionadas com a qualidade da água

Como parte da componente de qualidade da água, o Blue Deal Moçambique tem apoiado acções de mitigação da poluição da água pela mineração do ouro nas bacias dos rios Búzi e Púnguè. Desde 2023, têm sido realizadas reuniões com diferentes partes interessadas para facilitar a colaboração entre a ARA-Centro, IP e outras agências governamentais, agricultores e mineiros, visando o desenvolvimento de um plano de acção focado no licenciamento de empresas, na monitoria da descarga de águas residuais, na sensibilização dos operadores mineiros e no reforço da gestão multissectorial integrada nas bacias dos rios Búzi e Púngwè. Pretendemos continuar a trabalhar nesta questão e em Agosto deste ano, será realizada uma nova visita de trabalho e uma reunião presencial com todas as partes interessadas.

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ARA Centro,IP e ARA Norte,IP realizam inspecções visuais aos sistemas de diques críticos

Através da parceria Blue Deal, as Autoridades Holandesas da Água têm apoiado as Administrações Regionais de Águas de Moçambique (ARAs) a melhorar as práticas de gestão de diques. Esta cooperação incluiu formações sobre a concepção, construção e reparação de diques e a introdução de ferramentas para inspecção e monitoria visual de diques. Com base nestas formações, inspecções no terreno de alguns sistemas de diques foram realizadas, inicialmente com a ARA-Sul,IP e, mais recentemente, com a ARA-Centro,IP e a ARA-Norte,IP. Estas acções representam um avanço importante no reforço das infra-estruturas de protecção contra as cheias em Moçambique.

Inspeção visual revela problemas em dois grandes diques de protecção contra inundações

Em Outubro de 2024, a ARA Norte, IP realizou uma inspecção visual do dique de Nante, enquanto a ARA Centro, IP realizou um trabalho semelhante no dique de Luabo em Março deste ano. Ambas as avaliações confirmaram uma deterioração significativa na condição estrutural desses sistemas de defesa contra inundações, o que exige uma intervenção urgente.

A inspeção da ARA Norte,IP revelou vários problemas generalizados no dique de Nante, com cerca de 19km de extensão, incluindo erosão grave, fissuras profundas, secções desmoronadas e mau funcionamento das estruturas hidráulicas. Por outro lado, a inspeção da ARA Centro,IP ao dique de Luabo, com 64km, revelou também falhas estruturais sérias, incluindo fissuras e ravinas, vegetação excessiva e árvores de grande porte no dique, edifícios no topo do dique e a presença de outras actividades humanas de risco.

Falta de manutenção compromete segurança dos diques de Nante e Luabo

As inspecções recentes confirmam que a falta de manutenção regular tem deixado os diques de Nante e Luabo cada vez mais vulneráveis. Apesar das anteriores tentativas de reabilitação, os principais trechos do dique de Nante continuam a ceder aquando da ocorrência de eventos climáticos extremos, como aconteceu nas inundações de 2015, 2019 e 2022, colocando em risco a vida das comunidades ao redor e as áreas agrícolas.

A situação do dique de Luabo é ainda mais crítica. Construído originalmente para proteger a vila de Luabo e os campos de cana-de-açúcar na região, o dique não recebeu qualquer tipo de manutenção desde o encerramento da fábrica de açúcar local, há mais de 15 anos.

Avanços para resolver os problemas estruturais

Após estas inspeções, as duas ARAs irão desenvolver planos de manutenção para estes sistemas de diques, com o apoio de especialistas em diques das Autoridades de Água dos Países Baixos. A reconstrução do dique de Nante terá início num futuro próximo. O apoio financeiro para este trabalho foi assegurado pela ARA Norte, IP, no âmbito de um programa financiado pelo Banco Mundial. Por outro lado, a ARA Centro, IP ainda não tem planos claros para a reconstrução do dique de Luabo.

Próximas etapas e importância estratégica

Os sistemas de diques desempenham um papel importante na protecção às comunidades e os meios de subsistência, reduzindo os riscos causados pelas inundações. Estas inspeções fazem parte de uma estratégia coordenada para aumentar a resiliência de Moçambique às alterações climáticas, através do reforço das infraestruturas essenciais. A parceria Blue Deal continuará a trabalhar com as ARAs e a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) no desenvolvimento de soluções práticas para a inspecção e monitoria dos sistemas de diques, na elaboração de planos de manutenção e na prestação de aconselhamento, conforme necessário, em intervenções em grande escala de outras iniciativas.

Informações adicionais sobre a componente 4

As formações técnicas e as inspecções visuais dos diques são actividades-chave da componente de gestão de riscos de inundações do Blue Deal em Moçambique. Além disso, esta componente também trabalha em temas como o envolvimento das comunidades na operação e manutenção dos diques, o desenvolvimento de mapas de risco de inundação, o desenvolvimento e uso de modelos hidrológicos, o planeamento do uso do solo e sua relação com a gestão dos riscos de inundações, entre outros.

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Maior preparação para as épocas chuvosas na cidade da Beira

No âmbito da parceria com os SASB, a Associação FACE realizou uma campanha de drenagem e limpeza manual de canais para reforçar as medidas de prevenção contra cheias na cidade da Beira. Este esforço proactivo teve como objectivo minimizar o risco de inundações antes da época chuvosa de 2024/2025.

Melhorando a resiliência urbana

Entre Setembro de 2024 e Janeiro de 2025, mais de 19 quilómetros de valas de drenagem foram limpos e 26 pontos críticos foram desbloqueados. Esses esforços melhoraram significativamente o fluxo de água em bairros propensos a inundações em toda a cidade. Esta acção reforça o compromisso com a resiliência urbana e a adaptação às mudanças, protegendo infraestruturas e melhorando a qualidade de vida dos cidadãos.

Inclusão social e melhoria da qualidade de vida

Para além da melhoria das infraestruturas de drenagem, a campanha criou oportunidades de emprego temporário e incentivou a participação da comunidade na gestão da drenagem urbana e no saneamento. Os moradores dos bairros mais afectados participaram activamente nas campanhas de limpeza e em sessões de sensibilização sobre a gestão adequada de resíduos sólidos.

Estes esforços também contribuem para a saúde pública, reduzindo o acúmulo de águas residuais e os riscos à saúde associados.

Perspectivas futuras

Os esforços da Associação FACE estão alinhados com os objectivos de longo prazo da parceria Blue Deal. Com apoio local, a FACE continuará a realizar manutenções regulares dos sistemas de drenagem e a promover campanhas de sensibilização. Estas acções visam incentivar a população a gerir correctamente os resíduos sólidos, contribuindo para a redução de bloqueios das valas de drenagem e, consequentemente, a prevenção de inundações urbanas numa cidade frequentemente afectada por chuvas fortes.

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Aproximando utentes e gestores da água em Moçambique

Com o apoio do programa Blue Deal, as Administrações Regionais de Águas (ARAs) em Moçambique estão a realizar campanhas de licenciamento de utentes de água. Estas campanhas visam promover o uso sustentável da água, o cumprimento das normas, o acesso equitativo nas principais bacias hidrográficas e a melhoria da sustentabilidade financeira das ARAs.

Seguindo o exemplo da ARA-Sul, IP, a ARA-Norte, IP e a ARA-Centro,IP iniciaram campanhas de comunicação em 2024, com o objectivo não só de informar sobre os seus deveres e responsabilidades, mas também motivar os utentes a licenciarem-se e a realizar o pagamento pelo pelo uso da água.

Contacto directo com os utentes de água e construção da confiança

Sob o lema “Água Segura e Saudável”, a campanha da ARA Norte,IP concentrou-se em visitar agricultores, indústrias e fornecedores privados de água para esclarecer dúvidas, explicar as obrigações legais e ajudá-los no processo de licenciamento do uso da água. Recorrendo também a rádio, a televisão e a reuniões comunitárias, a campanha elevou a confiança dos utentes com a instituição e conduziu à um aumento no pedido de licenças e no cumprimento da legislação.

Por outro lado, também com foco na mudança comportamental dos utentes, a ARA Centro,IP recorreu a campanhas de rádio para apelar pelo licenciamento do uso de água nas três bacias hidrográficas sob a sua jurisdição e promover uma melhor compreensão do papel das ARAs.

Gestão inclusiva e abrangente

As campanhas da ARA-Norte,IP e da ARA-Centro,IP alcançaram mais de 500 mil pessoas nas bacias hidrográficas sob sua gestão. Estas campanhas quebraram barreiras linguísticas e a exclusão social, com as mensagens sendo transmitidas através de interações presenciais, rádio e televisão, tanto na língua oficial (Português) como nos dialectos locais.

Maior clareza na governação da água e alinhamento de estratégias futuras

Estas campanhas de sensibilização mostraram a importância de uma maior ligação entre os gestores da água e os utentes. Muitos passaram a ver o licenciamento não como um processo burocrático, mas como uma medida essencial para garantir a exploração sustentável da água. O fortalecimento das relações com as comunidades locais para uma governação inclusiva da água e a identificação de novos utilizadores são actividades fundamentais dos Departamentos de Serviço ao Utente (DSU) das ARAs. As ARAs planeiam prosseguir com as suas campanhas de comunicação e abordagem directa durante este ano e a parceria Blue Deal continuará a apoiar estas acções.

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SIRHAs – uma solução digital para o registo e a faturação de utentes de água

O SIRHAs é um sistema digital de informação sobre utentes de água desenvolvido pela iCarto com o apoio do Blue Deal e da Cooperação Galega. Esta ferramenta inovadora tem transformado a forma como as ARAs gerem o consumo de água, a emissão de licenças e a interação com utentes.

Neste vídeo, Teodomiro Cabral, técnico da Repartição de Cadastro e Geohidrologia da ARA-Sul,IP, partilha a experiência da instituição na utilização da ferramenta, em especial na automatização de processos nos seus diferentes departamentos.

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Partilha de conhecimentos entre Moçambique e os Países Baixos no uso do HydroNET e WEAP

Através da parceria Blue Deal, técnicos das administrações regionais de água em Moçambique receberam formações sobre modelação no WEAP e sobre o uso do HydroNET. Integradas ao projecto GLOW, estas ferramentas permitem prever fenómenos extremos em tempo real, analisar diversos cenários futuros e melhorar a resposta aos riscos de secas e inundações.

Neste vídeo, Ernesto Tivane e David Mucambe, técnicos da Repartição de Hidrologia e Ambiente da ARA-Sul,IP, explicam como estas ferramentas contribuem para uma gestão da água baseada em dados e como tais permitem que as autoridades locais da água antecipem e respondam à secas, inundações e a crescente procura de água.

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Autoridades de Água Holandesas treinam as ARAs na prevenção de cheias em Moçambique

Uma das áreas críticas abordadas pela parceria Blue Deal em Moçambique é a protecção contra as cheias.

Com o aumento dos eventos climáticos extremos, os sistemas de diques são essenciais na luta contra os danos causados pelas cheias. Através de formações, tecnologia e esforços conjuntos, as Administrações Regionais de Água (ARAs) estão, gradualmente, a melhorar a sua capacidade de gestão dos sistemas de diques e de protecção das comunidades contra as inundações.

Desenvolvimento de capacidades e introdução de novas ferramentas

Desde a primeira fase, a parceria Blue Deal tem vindo a abordar temas ligados à prevenção de cheias em Moçambique. No final da primeira fase (2019 – 2022), havia um interesse crescente nas (ARAs) e na Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) em melhorar a capacidade destas organizações no desenho e gestão de sistemas de diques.

Na primeira fase, os especialistas em diques das Autoridades de Água dos Países Baixos (DWA) realizaram uma formação em gestão de diques para a ARA-Sul e introduziram um software de inspecção de diques baseado em GIS (QField). Armada com novos conhecimentos e tecnologia, a ARA-Sul inspeccionou os diques ao longo dos rios Limpopo e Incomati. Estas inspecções revelaram muitos problemas, incluindo a erosão, construções não autorizadas, vegetação excessiva e desgaste estrutural. Estas descobertas sublinharam a necessidade de criar planos meticulosos de reabilitação e manutenção de diques para garantir a sua segurança contínua.

Utilizando o QGIS, a ARA-Sul,IP processou os dados recolhidos na inspecção de diques e criou mapas detalhados que foram posteriormente utilizados para desenvolver um plano de manutenção dos sistemas de diques acima mencionados.

Expansão dos treinamentos para outras regiões

O trabalho desenvolvido junto à ARA-Sul,IP revelou-se importante para as outras ARAs.  Sendo evidente a necessidade de uma gestão sólida dos diques a nível nacional, a iniciativa Blue Deal alargou os seus programas de formação à ARA-Centro,IP e à ARA-Norte,IP.

No ano passado, as três ARAs e a DNGRH começaram a discutir colectivamente estratégias para a manutenção de diques, as melhores práticas para o desenho de diques e a legislação de diques.

Em Maio de 2024, foram organizadas duas formações sobre a gestão de diques para a ARA-Centro e a ARA-Norte. A primeira formação consistiu numa introdução, por uma semana, do desenho e reabilitação de diques. A formação foi conduzida pela Tecnica Engenheiros Consultores,Lda, uma empresa de consultoria moçambicana. A segunda formação consistiu num treinamento prático em inspecção de diques e processamento de dados, conduzida por especialistas em diques da DWA.

Um apelo à acções urgentes

As duas formações organizadas em 2024 misturaram aspectos teóricos e visitas práticas ao terreno. A equipa visitou o sistema de diques de Nante, ao longo do rio Licungo, para praticar a inspecção de diques no terreno. Também foi visitada uma roptura de dique perto de uma estação de bombagem de usada para irrigação (dique de Muziva). As rupturas neste último dique e noutros sistemas de diques em Moçambique mostram que é urgentemente necessária uma boa manutenção destes sistemas pelo país.

Esforços conjuntos e partilha de conhecimentos

As acções de formação e inspecção de diques não foram apenas para adquirir novas competências, mas também para partilhar experiências e melhores práticas. Durante a formação deste ano (orientada para a ARA-Norte e ARA-Centro), um técnico da ARA-Sul foi convidado e partilhou as experiências das inspecções de diques em 2022 ao longo dos rios Limpopo e Incomati. Esta transferência de conhecimentos é essencial à medida que a ARA-Norte e a ARA-Centro se preparam para inspecionar os seus sistemas de diques e desenvolver os respectivos planos de manutenção.

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Melhoria da Qualidade da Água em Moçambique através do licenciamento e fiscalização da descarga de efluentes

Nos últimos anos, a descarga de águas residuais e o seu impacto na qualidade da água tem sido uma preocupação constante para as ARAs e outras organizações ambientais em Moçambique. Através da parceria Blue Deal, foi alcançado um avanço significativo ao abordar este tema quando representantes de organizações-chave – ARAs (Administrações Regionais de Água), DNGRH (Direcção Nacional de Gestão dos Recursos Hídricos), MTA (Ministério da Terra e Ambiente) e AQUA (Agência para o Controlo da Qualidade Ambiental) – se reuniram numa série de reuniões online e ao vivo.

A colaboração destas organizações resultou na finalização e aprovação de uma lista de verificação e de directrizes para o licenciamento da descarga de efluentes no início de 2024. Este é um passo crucial na missão em curso de melhorar a qualidade da água em Moçambique através da regulamentação e aplicação efectiva dos princípios por detrás da descarga de águas residuais.

Licenciamento-piloto da descarga de efluentes

Após a aprovação da lista de verificação e das directrizes para o licenciamento da descarga de efluentes, o foco em 2024 recai na sua validação e implementação. As ARAs estão agora envolvidas em projectos-piloto para validar a usabilidade destas ferramentas e promover a colaboração institucional.

Os esforços contínuos das ARAs e de outras partes interessadas evidenciam o anseio existente para continuar a desenvolver estratégias inovadoras para optimizar o processo de licenciamento da descarga de efluentes e encurtar o tempo de duração deste processo.

Reforçar a cooperação e a colaboração

A lista de verificação e as directrizes são ferramentas essenciais para melhorar a colaboração e a cooperação entre as ARAs e as organizações envolvidas nos processos de licenciamento e de fiscalização da descarga de efluentes. Ao definir claramente os passos e requisitos para o licenciamento, espera-se que estas ferramentas tornem a aplicação do quadro regulamentar mais eficiente. Colectivamente, estas organizações estão, não só, a melhorar a capacidade de aplicação efectiva dos princípios para a descarga de efluentes, mas também a ter um impacto significativo na melhoria da qualidade da água em Moçambique.

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Transformando a drenagem de água na Cidade da Beira através da limpeza de canais

A cidade da Beira, em Moçambique, é frequentemente afectada por inundações. Nos últimos anos, as alterações climáticas vem exercendo uma pressão adicional sobre o sistema de drenagem da cidade da Beira devido à maior ocorrência de tempestades severas e à subida do nível do mar. Para ajudar a cidade a lidar com estas duas questões, a parceria Blue Deal está a trabalhar com os Serviços Autónomos de Saneamento da Beira (SASB) e a Associação FACE para melhorar a gestão do sistema de drenagem da cidade da Beira.

Limpeza de canais e da rede de esgoto pluvial

Com o apoio da parceria Blue Deal, os SASB e a FACE trabalham em conjunto na limpeza de canais em zonas urbanas e periurbanas na cidade da Beira. Entre o 3º trimestre de 2023 e o 1º trimestre de 2024, a FACE trabalhou na limpeza manual de canais com o apoio das comunidades que vivem nas proximidades dos canais. Por outro lado, os SASB têm estado a trabalhar na limpeza mecânica de canais.

De Fevereiro a Abril de 2024, a Associação FACE realizou actividades de limpeza de sarjetas na cidade da Beira. Uma equipa de 30 trabalhadores por mês (totalizando 90 pessoas ao longo dos três meses), limpou 3,208 sarjetas e 250 caixas de saída, removendo cerca de 3 contentores de 6m³ de resíduos sólidos da bacia de retenção de água de Maraza.

Os resíduos mais comuns que obstruem o sistema de drenagem são as garrafas PET, HDP, PP, as embalagens de diversos produtos e as fraldas descartáveis.

À semelhança da limpeza de canais, as actividades de limpeza de sarjetas promoveram a inclusão social e a participação da comunidade, permitindo que diferentes indivíduos se envolvessem e ganhassem um pequeno rendimento. É importante continuar a sensibilizar as comunidades residentes na cidade da Beira sobre a eliminação correcta dos resíduos sólidos e práticas adequadas para resiliência às cheias.

Avaliação do recrescimento da vegetação

A vegetação é bastante presente nos canais de drenagem da cidade da Beira, o que ocasiona problemas no escoamento da água. Para resolver este problema, o Blue Deal, em colaboração com o SASB e o FACE, está a avaliar o crescimento da vegetação nos canais de drenagem desta cidade e seu impacto na gestão da água.

As informações recolhidas sobre a dimensão dos canais e a vegetação dominante (espessura, comprimento e padrões de crescimento) permitirão aos SASB definir a estratégia mais adequada para a limpeza dos canais (manual ou mecânica), planear e orçamentar adequadamente as suas actividades.

Planeamento do uso da terra e envolvimento das partes interessadas

As campanhas de limpeza realizadas levantaram questões importantes sobre a cooperação entre as organizações envolvidas no planeamento e desenvolvimento urbano. Os SASB desempenham um papel importante, embora limitado, na redução dos impactos das inundações na Beira.

No bairro de Muave – uma área do município da Beira que está a crescer – os SASB estão a envolver-se mais cedo no processo de planeamento. Está a tornar-se cada vez mais claro para todos que é importante alinhar a gestão da água e o planeamento urbano desde o início – o Conselho Municipal da cidade da Beira está a ficar cada vez mais consciente disso.

Todas as semanas, é organizada uma reunião de consulta entre o SASB e o Conselho Municipal da Beira, para garantir que a gestão da água ajude a orientar o planeamento urbano. Isto ajudará a impedir a construção em zonas demasiado baixas, a criar bacias de retenção suficientes, a proteger as comunidades contra os impactos das tempestades e a desenvolver uma boa estrutura dos canais de drenagem.

Para além das actividades no bairro de Muave, foi desenvolvido um “mapa de oportunidades da água” para toda a cidade da Beira. Este mapa interactivo poderá ser utilizado como uma ferramenta para reforçar a gestão da água como um princípio co-orientador do planeamento urbano.

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Métodos inovadores para a monitoria da Qualidade da Água em Moçambique

A crescente procura por água potável e a necessidade de preservar os recursos hídricos fazem da qualidade da água uma questão crítica em Moçambique.

As vastas áreas sob gestão das Autoridades Regionais de Água (ARAs) e o acesso limitado à tecnologia e outros recursos tornam os métodos tradicionais de monitoria da qualidade da água pouco práticos e dispendiosos. Para resolver esta questão, a parceria Blue Deal em Moçambique está a trabalhar com a ARA-Centro,IP na procura por métodos e ferramentas inovadoras para a monitoria da qualidade da água.

Novas abordagens para a monitoria da qualidade da água

A necessidade urgente de ferramentas simples, económicas e fáceis de utilizar (e que possam fornecer dados precisos) exige que se saltem etapas intermédias e sejam directamente adoptadas as tecnologias mais recentes e eficientes. No caso da avaliação da qualidade da água, isto pode significar sair do uso de equipamentos de análise laboratorial dispendiosos para soluções móveis, transformando assim a forma como a qualidade da água é monitorada e permitindo a realização de testes mais frequentes, mesmo em zonas remotas.

Laboratórios portáteis de qualidade da água

Uma ideia promissora neste trabalho é o desenvolvimento de um “Laboratório Portátil de Qualidade da Água”. Este kit incluiria vários sensores e tiras de teste analógicos que podem medir substâncias complexas como o nitrato e o fosfato. Este conceito tira proveito da tecnologia dos smartphones para ler e interpretar os testes, tornando-os acessíveis e fáceis de utilizar por qualquer pessoa, independentemente do seu conhecimento técnico.

Correcção e precisão

Ao avaliar os testes de qualidade da água em dispositivos móveis, devem ser consideradas duas características críticas de desempenho: a “exatidão ” e a “precisão”. A exatidão refere-se à proximidade entre os valores medidos e as concentrações reais das substâncias, enquanto que a precisão indica a consistência dos resultados em vários testes.

A garantia de que os testes são precisos e fiáveis é essencial para a adopção de uma ferramenta eficaz para a monitoria da qualidade da água.

Produtos e tecnologias inovadores

Vários produtos e tecnologias surgiram como potenciais soluções para a medição da qualidade da água com recursos as aplicações móveis tais como o Deltares Aquality App, AKVO Caddisfly, AQUON Laboratories, FFEM, CyanoLakes, MQuant StripScan e SAM-1 Smart Aquameter.

A aplicação Deltares Aquality foi testada nos Países Baixos e em Moçambique, demonstrando resultados promissores para a medição fácil e rápida de nitrato, níveis de sal, azoto mineral, amónio e concentrações de fosfato. Para o Blue Deal Moçambique, seria interessante testar dois outros produtos: o MQuant Stripscan e o SAM-1 Smart Aquameter. Ambos os produtos oferecem comodidade, exatidão e facilidade de utilização.

Investigação e inovação contínuas

As investigações em curso exploram as capacidades dos smartphones para a análise da qualidade da água. Vários estudos científicos e organizações estão a explorar as possibilidades oferecidas pelos sistemas baseados em smartphones para a análise da qualidade da água e a sua fiabilidade, tais como a Universidade Técnica de Delft e a Universidade de Leiden.

A adopção destas novas formas de monitoria poderá dotar as ARAs e outros profissionais da água da capacidade de proactivamente monitorar a qualidade da água, tomar decisões com base nas informações colhidas e contribuir para a preservação da água em Moçambique. Em 2024 a nossa parceria continuará a explorar este tópico e está planeada uma visita de trabalho para o 3º trimestre para continuar a trabalhar com a ARA Centro, IP neste assunto.

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