Componente 5

Parceria Blue Deal em Moçambique reúne-se em Maputo para planear o seu futuro

Em Novembro deste ano, a Parceria Blue Deal realizou uma reunião estratégica em Maputo com o objectivo de analisar a nova estrutura organizacional do programa e discutir o plano anual para 2026. Este encontro deu continuidade ao processo de consulta iniciado em meados do ano sobre a reestruturação do programa e a melhoria da sua eficiência.

Uma nova estrutura organizacional

Durante a reunião, a parceria examinou uma nova estrutura organizacional baseada em “trilhos” específicos. Esta reorganização do programa visa clarificar o foco, melhorar o alinhamento entre todos os parceiros e optimizar a coordenação das actividades no futuro.

O plano anual de 2026

Uma versão preliminar do plano para 2026 foi apresentada e discutida. No âmbito do novo modelo de “trilhos”, a maioria das actividades propostas para o próximo ano são continuações directas de acções iniciadas pela parceria em anos anteriores.

Introspeção e cooperação na parceria

A reunião constituiu um momento de reflexão sobre os resultados do programa. Os líderes dos componentes (representantes da DWA) continuarão a trabalhar em estreita colaboração com as entidades moçambicanas de gestão de recursos hídricos para identificar as áreas de sucesso e pontos de melhoria no programa.

O encontro também proporcionou uma oportunidade para fortalecer os laços entre o Programa Blue Deal e outras intervenções dos Países Baixos na gestão de recursos hídricos em Moçambique.

O Sr. Ivo Van Haren, representante da Embaixada dos Países Baixos, participou na reunião e informou sobre as acções planeadas pela Comissão Neerlandesa para a Avaliação Ambiental (NCEA) em Moçambique. Este foi um anúncio importante para o sector de recursos hídricos, visto que algumas acções propostas pela Comissão visam melhorar as avaliações de impacto ambiental e reduzir a poluição na barragem de Chicamba causada pela mineração de ouro — uma questão que a parceria Blue Deal vem abordando há alguns anos.

Garantir um diálogo regular

A reunião de parceria realizada em Novembro reforçou a necessidade de consultas constantes com os parceiros locais para avaliar o progresso da parceria, recolher sugestões de melhoria e garantir uma melhor implementação do programa.

O programa Blue Deal organiza regularmente estas reuniões da parceria para garantir a transparência e um progresso consistente. O evento de Novembro segue-se a outro realizado em Junho deste ano, estando previstas novas reuniões estratégicas para o próximo ano, com o fim de monitorar a execução das actividades programadas para 2026.

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Gabinete do Programa Blue Deal visita Beira e Maputo para acompanhar o trabalho do SASB e participar na 8ª conferência REMCO

Uma delegação do Gabinete do Programa Blue Deal, em Haia, e das Autoridades de Água dos Países Baixos (DWA) visitou Moçambique no passado mês de Novembro. A equipa, composta por Marieke van Nood (Directora do Programa Blue Deal), Martin Bos (Director da Parceria Blue Deal Moçambique), Jan den Besten (Hunze en Aas) e Ytzen Faber (Wetterskip Fryslan), visitou a cidade da Beira para acompanhar o progresso do trabalho com o Serviço Autónomo de Saneamento da Beira (SASB) e para participar na 8ª Conferência REMCO, onde tiveram lugar discussões importantes sobre a gestão transfronteiriça de recursos hídricos.

Parceria com o SASB para a sustentabilidade financeira

Parte da missão na Cidade da Beira centrou-se na discussão do futuro financeiro do SASB. A discussão abrangeu uma grande variedade de tópicos a este respeito, tais como o aumento dos custos operacionais à medida que novas infraestruturas entram em funcionamento, o forte estímulo para a profissionalização, através da boa governação e do estabelecimento de um novo quadro regulamentar. Estas são apenas algumas das acções que levariam o SASB a tornar-se uma empresa sustentável.

Descentralização da cadeia de saneamento

As equipas do Blue Deal, DWA, e SASB também analisaram a importante questão do saneamento descentralizado na Beira.

Um inquérito realizado em Maio de 2025 revelou que 65% das lamas fecais não recebem um tratamento adequado.

Para combater este risco ambiental e para a saúde, a parceria está a lançar um projecto-piloto de subsídios (através da Associação FACE). Este projecto visa melhorar a cadeia de saneamento, dando aos residentes da cidade uma razão para esvaziar adequadamente as fossas sépticas e garantir que os lodos sejam colocados nos locais apropriados (geridos pelo SASB).

Limpeza de canais e expansão da infraestrutura

A prevenção de inundações continua a ser uma prioridade para a cidade da Beira e, actualmente, estão a ser construídos canais com 20 metros de largura para melhorar a drenagem da cidade.

Nas instalações do SASB, a delegação planificou a operação anual de limpeza de canais de drenagem. O Blue Deal tem prestado apoio ao SASB (e a Associação FACE) nesta matéria há alguns anos e continuará a fazê-lo.

Durante a visita em Novembro, foram exploradas soluções alternativas para combater o rápido recrescimento da vegetação, incluindo as possibilidades de utilizar um barco de corte para a manutenção das (novas) bacias de retenção e, possivelmente, também para os canais mais largos.

REMCO 2025

A missão terminou em Maputo com a participação da delegação na 8ª conferência REMCO, realizada de 3 a 7 de Novembro de 2025.

Como é habitual, a conferência deste ano – organizada por pela ARA Sul,IP e apoiada por três parcerias Blue Deal (Moçambique, África do Sul e Essuatíni) – centrou-se na cooperação transfronteiriça para a gestão de recursos hídricos entre estes três países.

Estiveram presentes cerca de 200 participantes, incluindo representantes do Gabinete Blue Deal em Haia e das delegações Blue Deal da Etiópia, Moçambique, Essuatíni, África do Sul, Alemanha e organizações parceiras na área da gestão de recursos hídricos.

A parceria Blue Deal de Moçambique esteve representada no evento pelos representantes do Gabinete do Blue Deal e da DWA acima mencionados, assim como por Marijke Jaarsma (Waterschap Vallei en Veluwe), que moderou duas sessões do evento: uma sobre a cooperação digital entre os Estados ribeirinhos e outra sobre o programa Blue Deal e o progresso das parcerias Africanas.

A conferência terminou com uma visita de campo, durante a qual os participantes tiveram a oportunidade de aprender mais sobre os esforços da Cooperativa REPENSAR, uma organização que desenvolve várias ações de conservação ambiental na bacia hidrográfica de Maputo.

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A missão estabeleceu uma ligação positiva entre as melhorias operacionais no terreno, na Beira, e as discussões estratégicas de alto nível, em Maputo.

As visitas a Beira e Maputo proporcionaram uma oportunidade valiosa para que o pessoal-chave do programa se reunisse pessoalmente e partilhasse as suas experiências diversas. Desde a Direcção do programa aos representantes das parcerias Blue Deal e outras entidades, ambas as cidades foram vistas como locais que ofereceram experiências valiosas e memoráveis.

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Maior preparação para as épocas chuvosas na cidade da Beira

No âmbito da parceria com os SASB, a Associação FACE realizou uma campanha de drenagem e limpeza manual de canais para reforçar as medidas de prevenção contra cheias na cidade da Beira. Este esforço proactivo teve como objectivo minimizar o risco de inundações antes da época chuvosa de 2024/2025.

Melhorando a resiliência urbana

Entre Setembro de 2024 e Janeiro de 2025, mais de 19 quilómetros de valas de drenagem foram limpos e 26 pontos críticos foram desbloqueados. Esses esforços melhoraram significativamente o fluxo de água em bairros propensos a inundações em toda a cidade. Esta acção reforça o compromisso com a resiliência urbana e a adaptação às mudanças, protegendo infraestruturas e melhorando a qualidade de vida dos cidadãos.

Inclusão social e melhoria da qualidade de vida

Para além da melhoria das infraestruturas de drenagem, a campanha criou oportunidades de emprego temporário e incentivou a participação da comunidade na gestão da drenagem urbana e no saneamento. Os moradores dos bairros mais afectados participaram activamente nas campanhas de limpeza e em sessões de sensibilização sobre a gestão adequada de resíduos sólidos.

Estes esforços também contribuem para a saúde pública, reduzindo o acúmulo de águas residuais e os riscos à saúde associados.

Perspectivas futuras

Os esforços da Associação FACE estão alinhados com os objectivos de longo prazo da parceria Blue Deal. Com apoio local, a FACE continuará a realizar manutenções regulares dos sistemas de drenagem e a promover campanhas de sensibilização. Estas acções visam incentivar a população a gerir correctamente os resíduos sólidos, contribuindo para a redução de bloqueios das valas de drenagem e, consequentemente, a prevenção de inundações urbanas numa cidade frequentemente afectada por chuvas fortes.

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Transformando a drenagem de água na Cidade da Beira através da limpeza de canais

A cidade da Beira, em Moçambique, é frequentemente afectada por inundações. Nos últimos anos, as alterações climáticas vem exercendo uma pressão adicional sobre o sistema de drenagem da cidade da Beira devido à maior ocorrência de tempestades severas e à subida do nível do mar. Para ajudar a cidade a lidar com estas duas questões, a parceria Blue Deal está a trabalhar com os Serviços Autónomos de Saneamento da Beira (SASB) e a Associação FACE para melhorar a gestão do sistema de drenagem da cidade da Beira.

Limpeza de canais e da rede de esgoto pluvial

Com o apoio da parceria Blue Deal, os SASB e a FACE trabalham em conjunto na limpeza de canais em zonas urbanas e periurbanas na cidade da Beira. Entre o 3º trimestre de 2023 e o 1º trimestre de 2024, a FACE trabalhou na limpeza manual de canais com o apoio das comunidades que vivem nas proximidades dos canais. Por outro lado, os SASB têm estado a trabalhar na limpeza mecânica de canais.

De Fevereiro a Abril de 2024, a Associação FACE realizou actividades de limpeza de sarjetas na cidade da Beira. Uma equipa de 30 trabalhadores por mês (totalizando 90 pessoas ao longo dos três meses), limpou 3,208 sarjetas e 250 caixas de saída, removendo cerca de 3 contentores de 6m³ de resíduos sólidos da bacia de retenção de água de Maraza.

Os resíduos mais comuns que obstruem o sistema de drenagem são as garrafas PET, HDP, PP, as embalagens de diversos produtos e as fraldas descartáveis.

À semelhança da limpeza de canais, as actividades de limpeza de sarjetas promoveram a inclusão social e a participação da comunidade, permitindo que diferentes indivíduos se envolvessem e ganhassem um pequeno rendimento. É importante continuar a sensibilizar as comunidades residentes na cidade da Beira sobre a eliminação correcta dos resíduos sólidos e práticas adequadas para resiliência às cheias.

Avaliação do recrescimento da vegetação

A vegetação é bastante presente nos canais de drenagem da cidade da Beira, o que ocasiona problemas no escoamento da água. Para resolver este problema, o Blue Deal, em colaboração com o SASB e o FACE, está a avaliar o crescimento da vegetação nos canais de drenagem desta cidade e seu impacto na gestão da água.

As informações recolhidas sobre a dimensão dos canais e a vegetação dominante (espessura, comprimento e padrões de crescimento) permitirão aos SASB definir a estratégia mais adequada para a limpeza dos canais (manual ou mecânica), planear e orçamentar adequadamente as suas actividades.

Planeamento do uso da terra e envolvimento das partes interessadas

As campanhas de limpeza realizadas levantaram questões importantes sobre a cooperação entre as organizações envolvidas no planeamento e desenvolvimento urbano. Os SASB desempenham um papel importante, embora limitado, na redução dos impactos das inundações na Beira.

No bairro de Muave – uma área do município da Beira que está a crescer – os SASB estão a envolver-se mais cedo no processo de planeamento. Está a tornar-se cada vez mais claro para todos que é importante alinhar a gestão da água e o planeamento urbano desde o início – o Conselho Municipal da cidade da Beira está a ficar cada vez mais consciente disso.

Todas as semanas, é organizada uma reunião de consulta entre o SASB e o Conselho Municipal da Beira, para garantir que a gestão da água ajude a orientar o planeamento urbano. Isto ajudará a impedir a construção em zonas demasiado baixas, a criar bacias de retenção suficientes, a proteger as comunidades contra os impactos das tempestades e a desenvolver uma boa estrutura dos canais de drenagem.

Para além das actividades no bairro de Muave, foi desenvolvido um “mapa de oportunidades da água” para toda a cidade da Beira. Este mapa interactivo poderá ser utilizado como uma ferramenta para reforçar a gestão da água como um princípio co-orientador do planeamento urbano.

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Gestão de activos para uma melhor gestão de inundações na Cidade da Beira

Os Serviços Autónomos de Saneamento da Beira (SASB), através da parceria Blue Deal, trabalham ambiciosamente na introdução dos princípios de Gestão de Activos na operação dos sistemas de drenagem e saneamento da Beira. Esta iniciativa visa aumentar a eficiência, a fiabilidade e a sustentabilidade destes sistemas essenciais, melhorando assim a qualidade de vida dos residentes da Beira.

Fundamentos da gestão de activos

Em Março e Novembro de 2023, a parceria do Blue Deal em Moçambique realizou uma formação sobre Gestão de Activos para a equipa dos SASB (e da Associação FACE). A formação introduziu os princípios da gestão de activos e estabeleceu as bases para a operação e manutenção dos activos dos SASB.

Inventário de activos e desenvolvimento de um plano de operação e manutenção

Desde Março de 2023, os SASB têm vindo a trabalhar no inventário e codificação dos seus activos. Este processo começou com as principais máquinas e infra-estruturas dos SASB, incluindo canais, camiões e bombas. Nos anos seguintes, o inventário e a codificação dos activos serão alargados a outras infra-estruturas, materiais e equipamentos dos SASB.

Em alinhamento com o programa SASB-PRO (uma abordagem combinada do Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos, Embaixada do Reino dos Países Baixos, RVO, VNG e Blue Deal para a melhoria da capacidade operacional do SASB), estas actividades permitirão estabelecer uma visão clara para a manutenção e o operação dos activos do SASB, reduzindo os custos imprevistos associados à manutenções reactivas.

Progresso das actividades

Em Março deste ano (2024), foi organizada uma visita de trabalho a Moçambique, durante a qual a equipa da Componente 5 e a equipa da VNG Internacional discutiram o progresso das actividades empreendidas pelos SASB nesta matéria.

Em Junho, o Blue Deal organizou um workshop para desenvolver um plano de manutenção para os canais de drenagem da Beira. Participaram deste workshop funcionários de diferentes departamentos dos SASB. Durante o workshop, a teoria da gestão de activos foi utilizada para redigir um plano de manutenção. Em uma semana de formação e discussão activa, ficou pronta uma versão preliminar do plano de manutenção (cerca de 90%). O plano será implementado no segundo semestre de 2024 e nos anos seguintes, o plano será actualizado anualmente.

Prevê-se que ainda neste ano sejam organizadas outras visitas de trabalho e acções de formação.

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SASB e FACE trabalham na melhoria da gestão de lamas fecais na Cidade da Beira

Um elemento importante da abordagem combinadada dos Países Baixos (Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos, Embaixada dos Países Baixos em Moçambique, RVO, VNG e Blue Deal) é a implementação de várias actividades na cidade da Beira. Estas actividades incluem intervenções sociais e técnicas, com o objectivo de melhorar os serviços prestados pelos Serviços Autónomos de Saneamento da Beira (SASB) a comunidade e apoiar o seu fortalecimento institucional.

Durante a primeira fase, a parceria Blue Beal colaborou com o SASB e o Conselho Municipal da Beira na identificação de uma área piloto para a instalação de uma segunda Estação de Transferência de Lamas Fecais. Discussões e avaliações seguintes, em 2023, destacaram a necessidade de se concentrar na melhoria da gestão e operação da estação existente – construída através do Programa de Saneamento Urbano da Frísia na Beira (2014-2018) – ao invés de construir uma segunda Estação de Transferência de Lamas Fecais (ETLF).

Monitoria do funcionamento da estação de transferência de lamas fecais

Os SASB e a Associação FACE têm vindo a acompanhar o funcionamento da ETLF já existente. As actividades levadas a cabo por estas duas organizações estão centradas no estabelecimento de um funcionamento eficiente da ETLF, na optimização da gestão das instalações e no aumento da adesão dos prestadores de serviços de saneamento privados. Para além disso, as actividades visam também apoiar e fortalecer as pequenas e médias empresas de sucção de fossas, incentivando boas práticas e padrões de qualidade que satisfaçam as necessidades de saneamento da comunidade. Por último, os SASB e a FACE realizam actividades de sensibilização para promover a importância do saneamento e da gestão adequada das lamas fecais, destacando também a importância dos serviços das empresas envolvidas.

Desafios e mudanças na operação da ETLF

Em 2023, as alterações nas operações das empresas de sucção de fossas e as variações sazonais foram significativas, afectando directamente os volumes recebidos na ETLF. A operação da ETLF foi também afectada por outros factores, tais como o encerramento das actividades de 3 empresas privadas (o que reduziu a quantidade de lamas fecais recebidas), a percepção negativa dos custos e a adopção de práticas alternativas de esvaziamento das fossas.

As práticas inadequadas de esvaziamento por parte das empresas, o não cumprimento dos procedimentos operacionais, o desconhecimento dos serviços oferecidos por parte da população, bem como a gestão inadequada dos resíduos sólidos e a falta de estrutura organizacional por parte dos praticantes do esvaziamento manual também impõem desafios na operação da ETLF.

Sensibilização da comunidade

A avaliação da operação da ETLF revelou a importância da sensibilização da comunidade como uma das soluções para o seu funcionamento efectivo. Estas acções de sensibilização contribuirão para o abandono de práticas inadequadas por parte das empresas privadas e da população, melhorando a relação entre estas duas partes.

Através da parceria Blue Deal, a FACE conseguiu recrutar e formar activistas para promover boas práticas na gestão das lamas fecais e também promover os serviços prestados pela ETLF a nível comunitário. É cada vez mais claro que uma comunicação eficaz sobre os serviços prestados pela ETLF é crucial para obter a aceitação e incentivar a participação activa da comunidade e das empresas privadas.


As actividades relacionadas com o funcionamento da ETLF continuarão neste ano, uma vez que o SASB e a FACE desempenham um papel significativo na melhoria da gestão da água e do saneamento na Beira.

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Reiniciado o funcionamento da Estação de Transferência de Lamas Fecais (ETLF) na Cidade de Beira

A Estação de Transferência de Lamas Fecais (ETLF) entrou em funcionamento em Junho de 2020. Uma equipa de apoio, constituída por um gestor e dois técnicos da SASB, esteve presente no terreno. A equipa técnica da ONG FACE esteve também envolvida no processo de abertura da ETLF prestando assistência. Após a abertura da estação, a equipa estará envolvida nos trabalhos operacionais diários.

Durante a estação chuvosa, mais concretamente na segunda estação (de Janeiro à Março de 2021), a estação foi encerrada e incapaz de prestar os seus serviços às empresas de sucção e limpeza de fossas sépticas. Durante esse período, a Cidade da Beira foi atingida pela forte tempestade tropical Chalane, que passou pela cidade em 19 de Dezembro de 2020, causando fortes chuvas que atingiram cerca de 100mm em 24 horas. No mês seguinte, em 14 de Janeiro de 2021, outro ciclone tropical, Eloise, atingiu a cidade com chuvas elevadas de 200 a 300 mm em 24 horas, 500 mm em 48 horas, causando inundações e outras destruições em estradas e infraestruturas. A estrada de acesso à estação foi afectada, o que impossibilitou que carros e motociclos se dirigissem a estação. Devido à estas circunstâncias, a ETLF teve de ser encerrada.

No início de Junho de 2021, a situação actual da ETLF foi avaliada pela FACE. As principais descobertas foi a necessidade de abastecimento de água canalizada para higiene pessoal (casa de banho) e para materiais de limpeza. É também necessária uma ligação eléctrica para maior segurança à noite para evitar a sabotagem e o roubo de materiais armazenados. Ficou também claro que as caixas de admissão da fossa séptica precisam ser ligeiramente reconstruídas, a fim de melhorar o processo de eliminação das lamas recolhidas dos camiões. Deve-se igualmente evitar que os resíduos sólidos das lamas estejam a entrar na fossa séptica. E, finalmente, há necessidade de pavimentar o circuito de manobra de camiões para minimizar a erosão.

No distrito de Inhamizua, a equipa da FACE está a realizar visitas porta a porta, divulgando as actividades da ETFL e promovendo o trabalho das empresas de sucção.

Em Maio de 2021 foram visitados 231 agregados familiares e, em Julho, foram realizadas cerca de 1.792 visitas de casas porta-a-porta: do total de visitas realizadas nos dois meses, 11 % dos domicílios procurou os serviços de sucção de tanques sépticos.

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Melhoria do sistema de drenagem da Cidade de Beira

O Blue Deal está a apoiar a cidade da Beira na melhoria das condições de funcionamento e gestão do sistema de canais de drenagem através da capacitação da entidade gestora de serviços urbanos (SASB). Esta acção é parcialmente implementada através de campanhas de sensibilização das comunidades que vivem nos bairro por onde passam os canais, especialmente a sensibilização para a gestão de resíduos sólidos (postura, supervisão, comités de controlo, saneamento-higiene-Covid19) e a utilização correcta de contentores de resíduos sólidos.

Em Maio de 2021, foram visitadas 1.242 famílias. Observou-se que 24% dos agregados familiares vivem a menos de 100m do local onde o contentor do lixo é colocado.

Dentro da componente 5 equipas de campo estão a implementar algumas actividades. Em parceria com o SASB, realizou-se uma formação e educação das equipas de campo nos escritórios do SASB. A formação visou sensibilizar as equipas de campo para os procedimentos de trabalho de campo, os desafios e objectivos da realização de visitas porta-a-porta e das campanhas em geral. A formação, em que o pessoal do SASB também esteve presente, foi recebida de forma muito positiva. As equipas de campo receberam equipamento de trabalho da FACE.

Os aspectos ligados covid-19 também foram respeitados. A importância da protecção pessoal de cada membro da equipa de campo foi enfatizada, bem como o cuidado dentro da comunidade, conselhos sobre como dirigir-se às pessoas, como fazer a lavagem de mãos e o distanciamento social.

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Reservatórios de água sustentáveis

Os pequenos reservatórios de água nas comunidades locais precisam funcionar correctamente e de forma sustentável. Tal pode ser alcançado com o envolvimento activo da comunidade local.

A intervenção bem-sucedida da ARA Zambeze na construção de pequenos reservatórios não depende apenas dos insumos e resultados técnicos, mas, acima de tudo, da sua capacidade de se conectar com a população local. Esta pode fornecer apoio à ARA com conhecimentos sobre os tipos de usos da água, selecção do local e informações hidrológicas e geológicas. Ou como o Sr. Tiago Vilanculo do CCM – que construiu com sucesso 60 barragens de areia – afirmou: “Sem o envolvimento das pessoas locais, não teríamos sido bem sucedidos”.

Reservatórios de água e barragens

A ARA Zambeze concentra-se na construção de reservatórios de água abertos. Na mesma região, a organização não governamental Conselho Cristão de Moçambique (CCM) está activa na construção de barragens de areia. Aqui, parte da descarga do rio durante a estação das chuvas é armazenada nos sedimentos que são depositados a montante da barragem. A realização de novas infra-estruturas é atrasada devido a procedimentos de contratação morosos e burocráticos, que podem demorar até 6 meses, enquanto o período de construção adequado é entre Agosto e Novembro.

Represas

Carlos Fenhane é um especialista em represas (pequenos reservatórios de água construídos por uma barragem no rio) e dentro da ARA Zambeze, ele é o único especialista neste domínio. As represas fornecem capacidade de armazenamento de água em períodos secos. Em Novembro de 2019, Carlos e Martin Bos da DWA visitaram um número selecionado de represas na região perto de Tete.

Directrizes

Carlos expressou a sua necessidade de uma maior troca de conhecimentos e experiências noutros países; em particular sobre a sustentabilidade da construção de barragens. Como Carlos afirmou: “Terei um melhor desempenho se puder utilizar experiências e conhecimentos de colegas de outros países.” Actualmente, Carlos e Martin elaboram uma diretriz e um manual para a concepção e construção de pequenas barragens.

Durante o trabalho de campo conjunto, tornou-se óbvio que o envolvimento das comunidades locais na seleção do local e na operação e manutenção é um factor-chave para a sustentabilidade de pequenos reservatórios de água.

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Realizadas Acções de sensibilização na Cidade da Beira

Um dos parceiros das actividades do Blue Deal na Beira é a Associação FACE, onde Helder Domingos é o responsável pelas nossas actividades. Segundo Helder Domingos: “A (nossa) associação foi fundada por colegas que trabalhavam no âmbito do Projeto de Saneamento Urbano da Frísia (FUSP 2010-2018). As nossas actividades sempre foram voltadas para a cadeia de saneamento com foco na sensibilização e construção de infra-estruturas de saneamento, tais como latrinas melhoradas, instalações públicas de saneamento e saneamento escolar. Em 2018, na Beira, estivemos envolvidos na construção de uma estação piloto de transferência de lamas fecais (componente 5) e na formação de pequenas empresas privadas para o esvaziamento de fossas de latrinas. Congratulamo-nos muito com a oportunidade proporcionada pela iniciativa do Blue Deal para continuar com este tipo de actividades que têm um importante valor acrescentado para a sustentabilidade das infra-estruturas e para a mudança de comportamentos“.

Desde o início, a FACE esteve envolvida nas várias reuniões preparatórias com os parceiros locais na cidade da Beira, nas visitas de campo, na conversa com os parceiros e na reunião de comunicação para o lançamento do Blue Deal. A interligação entre os principais actores (Câmara Municipal, SASB, ARA Centro, universidades, sector privado) com uma comunidade informada vai potenciar a vontade de melhorar a situação individual de saneamento das famílias.

O efeito Blue Deal: De acordo com Helder, fazer parte deste projeto é inspirador e, como equipa, se tem um sentimento positivo, pois estamos a contribuir para a sustentabilidade do ambiente de saneamento existente que foi criado nos projectos anteriores. Pensamos que a educação da comunidade através da sensibilização é importante e deve ser constante e contínua.

O caminho para resultados positivos: O Blue Deal oferece oportunidades para melhorar o comportamento em relação à gestão correcta dos resíduos sólidos e uma gestão adequada do sistema de drenagem a nível da cidade, com um impacto positivo na saúde pública.

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