Novos métodos reforçam a monitoria da qualidade da água em Moçambique

O controlo da qualidade da água em Moçambique depende normalmente de análises laboratoriais, o que pode atrasar a obtenção de resultados e limitar a frequência da amostragem. Em Agosto de 2026, os técnicos das delegações da ARA (Centro, Norte e Sul) e da DNGRH receberam uma formação sobre a utilização de dispositivos portáteis para medir os níveis de fosfato e amónio no terreno.

Formação prática com kits portáteis

No dia 20 de Agosto, realizou-se um workshop na ARA-Centro, na cidade da Beira, que reuniu pessoal dos laboratórios das três ARAs e especialistas das Autoridades de Água dos Países Baixos (DWA). A acção de formação incidiu sobre o funcionamento geral do equipamento e sobre os procedimentos correctos de medição.

A ARA-Centro apresentou os resultados iniciais obtidos no terreno e a sua experiência com os Checkers, proporcionando aos participantes a oportunidade de aprenderem com os colegas que já utilizavam o equipamento. Na sessão prática que se seguiu, todos os participantes procederam às suas próprias medições.

Amostragem, análise e introdução de dados em condições reais

No dia 21 de Agosto, os participantes recolheram amostras de água na estação de tratamento de águas residuais da Beira, procederam à sua análise com recurso aos Checkers e introduziram os resultados na aplicação de qualidade da água da Deltares. Os técnicos realizaram todo o processo, desde a amostragem até à análise e introdução de dados, simulando condições reais de trabalho.

Primeiras medições no rio Púnguè

No dia 22 de agosto, as equipas da DWA e da ARA Centro procederam à recolha de amostras em dois locais do rio Púnguè, a montante do Parque Nacional da Gorongosa. Para o efeito, utilizaram-se kits de campo e a aplicação Hydrocolor, que permite estimar o nível de turbidez a partir de uma fotografia tirada com um telemóvel. Os níveis de amónio e de fosfato eram baixos nos dois locais de amostragem. No entanto, no ponto de amostragem da Gorongosa, a turbidez atingiu os 80 NTU, o que indica a presença de elevados níveis de sedimentos em suspensão, possivelmente resultantes de erosão ou de actividades mineiras a montante. A água no segundo ponto de amostragem, Vunduzi, estava límpida. Embora uma ronda de amostragem apenas forneça uma indicação, este teste demonstra que os métodos de campo de baixo custo podem proporcionar uma visão geral inicial de um rio de forma rápida. A equipa recomenda a inclusão de medições do pH, da condutividade, do teor de oxigénio dissolvido e da temperatura em rondas futuras.

Alinhamento com o Índice Nacional de Qualidade da Água

Para serem úteis, os métodos de campo devem enquadrar-se no programa nacional de monitoria de Moçambique. O boletim nacional da qualidade da água, elaborado pela DNGRH, utiliza um Índice de Qualidade da Água (WQI), que se baseia em nove parâmetros: oxigénio dissolvido, coliformes fecais, pH, procura bioquímica de oxigénio, temperatura, azoto total, fósforo total, turbidez e sólidos totais dissolvidos.

Para incorporar os dados de campo neste índice, as Autoridades de Água dos Países Baixos irão solicitar à Deltares que inclua esses parâmetros na aplicação. A equipa está também a considerar outros kits ou aplicações que permitam efectuar essas medições com rapidez.

Próximos passos

Na sequência desta formação, a parceria acordou um conjunto de acções de acompanhamento. Estas incluem uma gestão mais sistemática do equipamento no terreno, o planeamento de recolhas de amostras regulares com um orçamento específico e a disponibilização de kits de teste a mais instituições e departamentos das ARAs.

O apoio ao desenvolvimento e à acreditação de laboratórios irá continuar – incluindo na ARA Norte.

Dentro de cerca de três meses, será realizada uma avaliação para analisar a forma como os kits estão a ser utilizados e as informações por eles fornecidas, visando possibilitar uma monitoria mais frequente e precisa dos recursos hídricos em Moçambique.

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