Moçambique e Essuatíni reforçam a partilha transfronteiriça de dados na bacia do Umbeluzi

Dado que as chuvas intensas em Essuatíni podem atingir Moçambique em poucas horas, é necessário que os dois países troquem dados rapidamente. Em Julho de 2026, decorreu a segunda sessão da Comunidade de Práticas do Blue Deal sobre gestão de dados e informação na barragem de Lubovane, em Essuatíni. O objectivo foi transitar da fase de identificação de problemas para a de implementação de um plano de acção conjunto.

Rumo a um alerta precoce de cheias em tempo real

Em Abril deste ano, a primeira reunião bilateral identificou vários obstáculos fundamentais entre os dois países. Entre estes, contam-se a partilha limitada de dados hidrológicos em contexto transfronteiriço, plataformas de monitoria incompatíveis, abordagens diferentes em termos de modelação e o estado da rede hidrométrica na bacia do rio Umbeluzi/Mbuluzi.

Em Julho, realizou-se uma segunda sessão em Essuatíni, que teve como objectivo principal o desenvolvimento de um sistema de alerta precoce de cheias em tempo “quase” real, com transmissão de dados de hora a hora durante os períodos de alerta. A sessão foi novamente facilitada pelo Blue Deal, que reuniu especialistas da Joint River Basin Authorities Project Board (JRBA-PB), do Departamento de Assuntos Hídricos de Essuatíni, da ARA-Sul, IP, e da Direção Nacional de Gestão dos Recursos Hídricos (DNGRH).

Desenvolvimento dos Termos de Referência para a cooperação na Fase 2B

A reunião finalizou os termos de referência para a cooperação entre as parcerias Blue Deal de Moçambique e de Essuatíni, durante a Fase 2B do Programa (2027-2030), que orientarão o seu trabalho conjunto. A cooperação incluirá a gestão de dados, a modelação, os sistemas de alerta precoce, a reabilitação de estações de monitoria na bacia do rio Umbeluzi, os procedimentos e as normas de partilha de dados em condições normais e de emergência, a utilização da plataforma HydroNET e a realização de acções de formação para os técnicos. As delegações apelaram também a um financiamento conjunto, de modo a garantir que as actividades não dependam exclusivamente dos orçamentos anuais destas instituições.

Ferramentas e avaliação no terreno

A JRBA-PB apresentou o modelo WEAP, que está a ser desenvolvido para a bacia do Umbeluzi. Os participantes validaram os dados relativos à procura de água, às captações e aos caudais de retorno. A ARA-Sul apresentou os painéis do HydroMoz e o WE-HARP, que são ferramentas de visualização de dados e de concessão de licenças de água. Os parceiros concordaram que a ARA-Sul partilhará os seus dados sobre a procura de água com a JRBA-PB e que os painéis de controlo do HydroMoz e do Essuatíni HydroNET serão alinhados. Foi ainda acordado que será organizada uma sessão de acompanhamento sobre modelação hidrológica e formação em WE-HARP para os colaboradores da JRBA-PB.

No último dia, a delegação visitou estações hidrométricas prioritárias na bacia do rio Umbeluzi, bem como a barragem de Mijoli. As visitas permitiram identificar problemas relacionados com a sedimentação, medidores de nível danificados, telemetria inoperacional e dificuldades de acesso. As visitas serviram também para confirmar as estações prioritárias para reabilitação nos dois países. Os parceiros discutiram possíveis fontes de financiamento para este trabalho, recorrendo a outros programas de cooperação.

Próximos passos

Os dois países dispõem agora de um plano de acção conjunto. Os Termos de Referência serão submetidos à Comunidade de Prática para validação e está a ser elaborado um plano de trabalho consolidado para a reabilitação das estações de medição.

O Blue Deal continuará a facilitar o processo, de modo a garantir que, quando ocorrerem as próximas cheias, ambos os países trabalhem com base na mesma informação.

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